A ameaça de parcelar novamente o salário dos servidores do Executivo do Rio Grande do Sul foi o bastante para gerar uma paralisação de três dias. Através do Centro dos Professores do RS (Cpers), em assembléia realizada na terça de terça-feira, 18, os professores resolveram entrar em greve de três dias, mantendo todas as escolas fechadas. As polícias, civil e militar, se reservaram a atender apenas ocorrências emergenciais e de atentado contra a vida. Embora a alimentação de apenados tenha sido mantida, o Sindicato dos Servidores Penitenciários do RS (Amapergs) recomendou a suspensão dos atendimentos administrativos, audiências e transferências.
Em pronunciamento, o governador José Ivo Sartori (PMDB) afirmou que houve um esforço “supremo” para pagar o salário dos servidores e, também, a dívida com a União, mas não foi possível. Fez questão de destacar que “nunca faltou diálogo e nunca faltou respeito”, mas que não admitirá que os postos de trabalho fiquem vagos. “Determinei aos secretários de estado que presença será presença e falta será falta”, conclui afirmando que “não há motivos para uma paralisação desta natureza” e pedindo para que os servidores não interrompam suas atividades.
Canoenses na ativa
O deputado estadual Nelsinho metalúrgico (PT) fez uso da tribuna para repudiar a atitude do governador. “O Rio Grande do Sul tem sim caminhos diferentes a trilhar para superara a sua crise. Não é privatizando, não é arrochando salários, não é acabando com as empresas públicas”, salientou o canoense em pronunciamento na Assembléia Legislativa (AL) na terça-feira, 18, onde aproveitou para sugerir que o caminho seria conversar com deputados estaduais e federais, bem como governadores que também sofrem com a crise, para renegociar a dívida. Na quinta-feira, 6, o parlamentar também afirmou que parcelar salários é “sacrificar as famílias dos servidores” e “nada justifica essa atitude”.
Vislumbrando uma possível campanha ao governo do estado, Jairo Jorge (PT), prefeito de Canoas, foi palestrante no Fórum dos Grandes Debates, da AL, com o tema “Modelos de Reforma do Estado no Brasil, alusivo aos 180 anos de Casa. A organização ficou por conta do deputado Tiago Simon (PMDB).
Sartoraço
A elevação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) foi a saída escolhida por José Ivo Sartori. A proposta enviada para a Assembléia na quinta-feira, 20, prevê um aumento na alíquota de 17% para 18%. O resultado será a alta em alíquotas seletivas da energia elétrica, combustíveis e telecomunicações, que passarão de 25% para 30%. A expectativa, com o aumento e o enorme desgaste político que o governo sente ao passar dos dias, é de R$ 1,8 bilhão a mais na arrecadação. O montante, no entanto, não cobre 1/3 do déficit de R$5,4 bilhões previsto para 2015.
Na quarta-feira, 19, o Tribunal de Justiça (TJ) decidiu abrir mão de R$ 1 bilhão em quatro anos, valor que deverá ficar nos cofres do estado. O valor provém da diferança entre os juros e a taxa dos depósitos judiciais.