Capítulo 4 (Continuação):
por Hector Quines
Os homens vasculhavam vorazmente o quarto, enquanto o vizinho observava à distância. Mas, afinal de contas, o que teria levado àquela situação? A mulher assassinada realmente havia traído o marido? E o assassino, onde estaria?
Calmamente, sentado na Praça do Avião, o homem que matou a esposa e deixou a cena do crime como se nada tivesse acontecido, bebia um suco de melancia, vermelho como o sangue que agora manchava sua trajetória. Mas, afinal, por que ele havia feito aquilo com a pessoa que tanto amava? Teria isso a ver com sua ex-esposa, aquela que sumiu dois anos antes e nunca mais se ouviu falar do seu paradeiro?
Ele mergulha nas memórias e lembra da noite em que a companheira anterior contou, através de uma carta, que o traía há anos com um colega de trabalho. Quando o texto foi lido, ela já estava ou poderia estar muito longe, nunca mais teve notícias. Mesmo assim, percorreu cidades próximas, perguntou a amigos, revirou a internet e nunca mais soube dela. Como pode alguém simplesmente evaporar?
Em sua paranoia, passou a se interessar por mulheres que de alguma forma lembrassem sua antiga esposa.
Encontrou algumas, elas nunca mais encontraram ninguém. Acabou com suas vidas friamente, como uma forma de se vingar daquela que, de acordo com sua mente perturbada, foi a responsável pela sua ruína.
Finalmente encontrou uma que lembrava sua ex, mas que tinha algo mais, que acalmava seus pensamentos insanos e dava alento ao seu coração. Fez adormecer por meses a fera que existia dentro dele. Foram morar juntos. Eram felizes, mas o monstro ameaçava acordar toda vez que ela se ausentava ou até quando atendia ao telefone. Estaria ela fazendo o mesmo que sua antecessora? Ele não conseguiu aguentar, voltou a matar.
No entanto, pela primeira vez, sente culpa, sabe que possivelmente ela não o traía e que só pensou isso porque o fantasma de sua antiga paixão ainda pairava sobre ele. Não conseguindo aceitar sua culpa, ele simplesmente a transfere para aquela que julga a grande vilã de sua vida. Só há um problema, todas as pessoas que conviveram com ele na sua época de casado afirmam que ele jamais teve uma esposa.