A crise no Hospital Universitário (HU) ultrapassa as relações entre o Grupo de Apoio e Prevenção à Medicina (Gamp) e os funcionários da instituição. Os contratos com empresas prestadoras de serviço também geram atritos, como é caso do setor de nutrição.
Tânia Koefender, representante das prestadoras serviços da área, afirma que o passivo vencido no momento é de RS 1,2 milhões. “Em torno de 400 mil são dívidas deixadas pelo grupo Mãe de Deus, o restante já é referente ao Gamp”, afirma. Segundo ela, os valores são relativos aos serviços prestados até 31 de janeiro.
A representante ainda informa que 90 funcionários estão vinculados ao setor de nutrição do HU, que podem ser atingidos diretamente pelo atraso de repasses. “Começa um efeito cascata. Também temos dívidas com fornecedores, que podem se recusar a entregar novos pedidos”, relata Koefender. No mês passado, ocorreu atraso no pagamento de funcionários. Neste mês, a situação permanece indefinida. Sem dinheiro, as empresas dependem de empréstimos bancários para quitar a folha salarial.
Sem rescisão
Uma ordem administrativa, assinada pela secretária de Saúde, Rosa Maria Groenwald, em 14 de fevereiro, determina que o Gamp suspenda a rescisão dos contratos vigentes. Ainda, em oficio, a secretária afirma que toda revisão contratual deverá passar pela Secretaria de Saúde. Os representantes das empresas de alimentação afirmam que foram realizadas reuniões informais com a direção do Gamp : “Eles diziam que tinham interesse em manter contrato e prometiam que iriam pagar os valores atrasados, mas não chegamos a um acordo”.
Tentativa de Invasão
Tânia Koefender afirma que na quinta-feira, 2, a direção do Gamp tentou invadir e assumir as operações da nutrição, alegando rescisão de contrato. Funcionários foram impedidos de chegar até o local de trabalho e até registraram boletins de ocorrência sobre a situação. “Ocorrem tentativas verbais e reais de invasão dos ambientes para assumir o setor, mesmo contra ordens judiciais que garantem a nossa permanência, relata Koefender.
O que diz o Gamp
Em nota, o Gamp informa que, “apesar de inúmeras tentativas de acordo e negociação, não se chegou a consenso e o contrato está sendo finalizado. Uma parcela significativa da pendência financeira ainda é resquício da gestão anterior, isto é, do Mãe de Deus, e, a partir de agora, toda as alegações das empresas serão rebatidas na esfera jurídica”.
