_DSC0208 2Para quem quer que chegue até a Vila de Passagem, a primeira impressão é de que nenhuma pessoa teria condições de morar ali. O cheiro forte, proveniente do esgoto a céu aberto, é uma espécie de boas vindas às avessas. A realidade, difícil de acreditar, é de que 45 famílias suportam essas condições, convivendo com doenças, insetos e intempéries. A redação de O Timoneiro foi até o local para saber como está a situação destas famílias e suas expectativas com relação à mudança para o conjunto habitacional do Macroquarteirão 4 (MQ4), que ocorre a partir da segunda-feira, 13.

Regina Silva mora no local há três anos. Com marido e três filhos, ela afirma que a situação na vila é precária. “Limpo meu armário e duas horas depois está cheio de baratas. A casa fica inundada de esgoto, não temos condições de viver nesse lugar”, relata. Ela ainda conta que, até então, ninguém da atual administração foi até o local para verificar a situação, mas que prefere que o problema seja resolvido, mesmo à distância: “prefiro que não venham aqui e me consigam um lugar melhor pra morar”. Ela afirma isso devido à expectativa da mudança para o MQ4, conjunto habitacional que foi invadido nos primeiros dias do ano.

Maria Aparecida é outra moradora que conta os minutos para sair da Vila.”Estou preparando tudo para me mudar. Estou vendo o que vou levar e o que não vou.”, diz Maria. Ela também relata uma convivência diária com ratos e baratas: “coloco algodão nos ouvidos das crianças todas as noites, com medo de que entrem insetos enquanto elas dormem”.

Em outra casa, a reportagem conversou com Paulo Gilberto Lima, que, no momento, cuidava de gêmeas recém-nascidas, com quase 1 mês de vida. No local, onde moram 8 pessoas, um bueiro estourou, impregnando o ambiente com um forte cheiro.”Quando chove, o esgoto se espalha por todo a casa”, conta Paulo.

Doenças

Os moradores relataram uma série de doenças contraídas no local. As crianças são as mais afetadas, com feridas pelo corpo e diagnosticadas, segundo eles, com infestação da bactéria estafilococos.

Desconfiança

Dona Albertina Fernandes, 59 anos, prefere não comemorar por enquanto. “Pra acreditar mesmo, só depois de estar lá.” Segundo ela, a administração passada já havia prometido retirar as famílias dali. “É triste, é revoltante”, relata Albertina, que cuida do filho de 31 anos, que sofre de esquizofrenia.

Relembre

Segundo informações da Prefeitura, a Vila de Passagem foi criada para acomodar, de forma provisória, as famílias retiradas da área destinada às obras da BR-448 e os ocupantes irregulares da área da empresa Kaeffe, os quais deveriam ser reassentados pelos programas sociais de habitação. Após o reassentamentos dessas famílias para as unidades habitacionais Morada Cidadã, CMT1, CMT2, Arlindo Krentz, Ilha das Garças e João de Barro, por meio de políticas públicas de habitação, a Vila de Passagem, originalmente destinada a acolher 65 famílias, passou a ser ocupada irregularmente por outras famílias não oriundas do seu destino inicial, gerando novas demandas por moradia.

Novo destino

Em nota, a Prefeitura, por meio da Diretoria de Políticas Sociais de Habitação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SMDUH), informa que incluiu essas novas famílias nos cadastros dos programas de habitação: “No momento restam 45 famílias cadastradas, inscritas e contempladas pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Os imóveis destinados a esses beneficiários fazem parte do conjunto habitacional do MQ4 (Macroquarteirão 4), localizado no bairro Guajuviras, que atualmente encontra-se ocupado irregularmente.”

A SMDUH também informa que, assim que o MQ4 for liberado, a partir da semana que vem, irá providenciar as mudanças dessas famílias e a extinção da Vila de Passagem. “Conforme acordo firmado na audiência conciliatória entre o Município, a Caixa Econômica Federal e os ocupantes, as 146 casas que já estavam prontas para entrega aos contemplados serão desocupadas no período de 13 a 17 de março de 2017, com liberação de 30 residências por dia. Já estão programadas as mudanças de 30 famílias na próxima segunda-feira, 13, e de mais 15 famílias na terça-feira, 14”.

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