Rogério Ceratti Filho*
Na semana passada assisti o filme “A Chegada” com minha mãe. Achei extraordinário.
Trata-se de naves alienígenas que entram na órbita terrestre e ficam flutuando à espera de uma comunicação com os humanos.
A atriz Amy Adams interpreta uma Doutora em linguística que, com o suporte de uma equipe, pesquisa formas de compreender o que os extraterrestres vieram fazer na Terra.
A trama envolve as tentativas de contato e as dificuldades que os personagens encontram para obter algum êxito.
Não extraio apenas a ótima produção e a forma diferente que tratam dos demais filmes de “ET’s”. Este vai além. Para mim, ao menos.
É sobre a própria incompreensão do ser humano. Do quão difícil é fazer se entender ou de interpretar o que outras pessoas querem lhe transmitir. O filme remonta claramente as consequências por estas dificuldades.
Estavam prestes a entrar em colapso tanto entre si, como contra os “ET’s”, por não compreenderem a sua língua, o medo do desconhecido, de não entenderem o que os “invasores” queriam.
Traçando um paralelo entre o filme e a nossa vida, não acho muito diferente.
As pessoas possuem uma dificuldade em interpretar os outros. De se fazer compreender. Isso gera um enorme desgaste, por muitas vezes brigas.
Pessoas que não falam mais umas com as outras, que discutem não apenas por divergências de opinião, mas por não saberem expressar a sua, ou de alguma forma tentar impor sobre o outro aquilo que se pensa.
A linguagem gestual, falada ou escrita, aproxima uns dos outros, pois facilita a comunicação. Se usada de forma equivocada, ela afasta, por uma barreira que nós mesmos criamos.
A era digital só piorou essa comunicação falha. São conversas em redes sociais sem pontuação, sem finalização. Dá-se conotação errada ao texto, é interpretado diferente pelo leitor.
Conversas e brigas extensas que parecem não ter fim, muitas vezes sem fundamento algum.
A pessoa que não compreende os demais, e não se faz compreender, perde o afeto social. Fica estagnada, não evolui.
Essa realidade é mensurável e faz um estrago enorme nas relações das pessoas.
O filme é interessante e parece distante, em uma reflexão profunda não parece mais.
*Advogado e Escotista