Marcelo Grisa
Alguns canoenses, por estarem próximos aos autódromos de Tarumã, em Viamão, e o Velopark, em Nova Santa Rita, aproveitam para fazer da velocidade um estilo de vida. É o caso de um dos mais novos pilotos ingressantes das categorias locais: Pedro Henrique da Silva Ramos, o Ike Ramos, de apenas 17 anos. Após uma primeira corrida de testes em 2015, o ano de 2016 foi marcado por sua estreia definitiva na Copa 1.4 de Marcas e Pilotos.
Tranquilidade na Direção
“É um lugar onde eu me sinto bastante tranquilo”, aponta o jovem Ike sobre o cockpit do Corsa Classic da 0km Racing, equipe fundada pela família. “Mais até que em outras situações.”
O estilo sereno é de alguém acostumado ao automobilismo. A família lembra inclusive que o piloto por pouco não nasceu em uma edição das tradicionais 12 Horas de Tarumã. Desde bebê ele foi às corridas profissionais, e já começava a nutrir a vontade de estar nas pistas.
Entretanto, a vontade não veio acompanhada da pressa. Primeiro Ike foi para as corridas virtuais do Game StockCar. O simulador conta com sua própria cena de competições online, nas quais é possível correr lado a lado com jogadores que vão dos profissionais do mundo real a ferozes praticantes da modalidade virtual.
“O simulador me permitiu aprender e me preparar muito bem usando o equipamento adequado”, explica Ike. Mais tarde, em 2015, realizou um curso de pilotagem que, ao seu final, garantiu sua primeira participação em uma corrida, com direito à pole antes na largada.
Ajuda e Dificuldades
A equipe da 0km Racing é composta principalmente pelos amigos e parentes de Ike. O chefe é o pai, Salentino Ramos Filho, conhecido como Tino. O mecânico e fã de velocidade há mais de 30 anos já preparou vários pilotos. Agora, aposta tudo na carreira do filho.
“Eu sempre procurei ensinar para ele a tranquilidade e os valores para ser respeitado na pista. Ele aprendeu, e os veteranos hoje ajudam, consideram o Ike um igual”, afirma Tino.
O objetivo hoje é fazer o jovem piloto correr a temporada inteira de 2017. Há patrocínios de diversos estabelecimentos e a ajuda da Auto Racing no paddock, mas a tentativa é ainda insuficiente. De acordo com Tino, o custo para cada uma das oito corridas varia entre R$ 7 mil e R$ 8 mil. “Estamos à procura de mais esforços que se juntem a gente para que o Ike possa correr. Fazemos isso porque acreditamos no potencial dele”, explica.