Na quarta-feira, 28, a equipe de reportagem de O Timoneiro conversou com o prefeito eleito Luiz Carlos Busato (PTB), que toma posse no domingo, 1º de janeiro. Ex-secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e ex-vereador, deixa seu terceiro mandato como deputado federal para assumir o Executivo canoense.
A saída do Legislativo para o Executivo, por sinal, é encarada com naturalidade pelo novo prefeito. “Eu não sou um deputado de tribuna. Meu perfil é mais de Executivo do que de Legislativo”, definiu.
Lagranha exemplo
Ao ser questionado sobre quais prefeitos destacaria na história de Canoas, Busato citou Hugo Simões Lagranha. “Era um prefeito sem rodeios, andava sozinho na rua, visitava as obras. É esse tipo de prefeito que eu quero ser, não quero colocar uma barreira” disse.
Como motivo para ter ingressado na política, falou de seu pai, Luiz Jerônimo Busato: “O fato de eu ser prefeito hoje tem quase tudo a ver com seguir o exemplo do meu pai. O sonho dele era ser prefeito. E ele foi, mas indicado pelo presidente da república e por três meses. Não é a mesma coisa que um prefeito eleito pelo povo. Então esse sonho que o pai tinha ele passou para mim. Tenho certeza de que o pai, se estivesse aqui hoje, estaria muito feliz”.
Secretariado técnico
A respeito dos critérios de escolha do seu secretariado, apontou a formação técnica como ponto fundamental e ressaltou a massiva presença de funcionários públicos no seu governo. Serão oito servidores ocupando cargos no primeiro escalão e sete no segundo. “E pensando no primeiro escalão, de 60% a 70% do orçamento vai ser dirigido por funcionários públicos, já que Educação e Saúde são comandadas por servidores e são as secretarias que têm mais recursos financeiros”, revelou.
Saúde
Ao falar da Saúde, o prefeito eleito pontuou a dificuldade que terá para reorganizar o sistema montado atualmente. Segundo ele, são 2500 pessoas trabalhando através do contrato gerido pelo Gamp, mais 1600 através dos contratos geridos pela Prefeitura e ainda mais de 700 pessoas ligadas à secretaria de Saúde e à Fundação de Saúde. “ São mais de 5 mil pessoas trabalhando. Foram gastos R$ 418 milhões, cerca de 36% do orçamento da saúde da Prefeitura, e está terrível. Faltou gestão e não dinheiro. Se tornou uma verdadeira Torre de Babel, com cada setor falando uma língua diferente”, disse.
Busato informou também que o sistema de teleagendamento deve ser aprimorado e mantido, mas que a marcação de consultas poderá ser feita de outras formas. “Vamos avaliar a possibilidade de agendamento presencial e também por internet, para diminuir a quantidade de horários que ficam em branco nas agendas”, falou.
Mobilidade
Sobre a mobilidade urbana, o prefeito eleito foi enfático, não define nada sem antes montar o Plano de Mobilidade. “Sem esse plano não temos nem como buscar recursos federais. Esse plano foi instituído em uma lei federal de 2015 e já deveria estar pronto. Se não tem esse plano, quem me garante que esta é a melhor forma de implantar o aeromóvel e que ele é realmente a melhor opção para a cidade?”, questionou.
A respeito da questão do Uber na cidade, o prefeito eleito entende que é similar à transição entre máquina de escrever e computador. “É uma tecnologia que veio e que teremos que nos adaptar. O táxi vai ter que mudar. Talvez tenhamos que ter um pouco mais de ingerência do governo no Uber e um pouco menos de ingerência no táxi, para que se chegue a um ponto de equilíbrio”, explicou.
Segurança
Em relação à segurança pública, Busato falou que reconhece a sala de monitoramento implantada por Jairo Jorge como algo positivo. No entanto, afirmou que o espaço precisa ser remodelado para ter real efeito prático.
Os guardas municipais, segundo o novo prefeito, terão porte de arma e a administração municipal dará apoio às polícias Civil e Militar.
Educação
Quando questionado sobre a falta de professores na cidade, disse saber do tamanho do problema e reconheceu que sabe que não é possível resolver totalmente a situação. Ele afirmou que pretende fazer com que os educadores trabalhem em sala de aula e não em funções que podem ser ocupadas por outras pessoas.
Pagamento de funcionários
No governo Jairo Jorge os funcionários públicos, que antes recebiam no último dia útil do mês trabalhado, passaram a receber no quinto dia útil do mês seguinte. Busato diz que tentará puxar a data de pagamento para o primeiro dia útil, o que faria diminuir a espera dos servidores.