
No próximo sábado, 15, comemora-se o Dia do Professor. Em alusão à data, a equipe de reportagem de O Timoneiro conversou com o presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan), Jari Rosa de Oliveira. “Não temos nenhuma melhoria ou conquista para comemorar. Só podemos mesmo agradecer por termos, pelo menos a maioria de nós, resistido vivos. Infelizmente alguns colegas não aguentaram a situação e morreram ao longo do último ano. O nosso foco neste ano é fazer um levantamento de todos os problemas e, se não apresentarem soluções, podemos começar 2017 com uma paralisação”, adianta.
Problemas históricos
Jari ressalta que os professores da rede municipal enfrentam falta de condições de trabalhos, com péssima infra-estrutura nas escolas. Além disso, o presidente pontua que a mudança de data do pagamento do salário e o fim da reposição quadrimestral deixaram ainda pior a situação da categoria.
Segurança e Saúde
O sindicalista reclama também do descaso com a segurança, desde que os guardas foram tirados das escolas. “A segurança nas escolas não existe mais. Algumas chegaram a ser assaltadas três vezes em uma semana. Vamos começar a fazer um levantamento para que saibamos o número total de ataques neste ano. Já sabemos que a João Palma da Silva é recordista, pois não chega a dar tempo de consertar a porta e eles já arrombam de novo. Para se ter uma ideia, os alunos escreveram no quadro ‘por favor, não assalte a nossa escola’ e no outro dia tinha uma mensagem escrita pelos ladrões, que dizia ‘nós assaltamos a hora que quisermos’ “, conta.
Outra reclamação do Sindicato é sobre a falta de preocupação do governo com a saúde dos educadores. “Prometeram em 2009 que haveria um programa para dar assistência e, em vez disso, dificultaram ainda mais as coisas. Muitos professores deixam de ir ao médico por causa da burocracia e da falta de respeito com que somos tratados na perícia”, diz.
Plano ruim
Hoje os professores municipais se dividem entre dois planos de carreira. Jari pontua que o mais antigo deles tem vários problemas e que os profissionais estão buscando seus direitos na justiça. A respeito do plano mais recente, válido para os novos professores, ele entende que trouxe mais problemas do que soluções para a Educação. “Este novo é um plano que não existe. Os profissionais entram e não ficam, não vale a pena financeiramente, fora que ter que fazer 20 horas em cada escola, para completar as 40, é outro problema”, avalia. Segundo Jari, concursos para 20 horas seriam necessários também, pois alguns professores que já têm meio expediente na rede estadual poderiam participar.