Percebendo que a filha, aluna do 4º ano do ensino fundamental da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Rio Grande do Sul, mudara o comportamento em casa, a mãe, que para sua segurança a apelidaremos de Maria, resolveu ir mais a fundo e conhecer a realidade do ensino da escola do município localizada no bairro Mato Grande.
A realidade que encontrou foi pior do que esperava. A filha, segundo ela vitima de bullying, começou a ser agredida fisicamente pelos colegas. “Chegou a apanhar quatro vezes em uma semana”, lamenta. A direção da escola, acredita ela, sabia da situação, mas acobertava os demais colega como uma forma de forçar a saída da aluna da escola. “Depois de tanto reclamar comecei a sofrer perseguição. No final de 2015 pediram para retirar ela da escola”, pontua.
“Quando fui pegar o uniforme também me humilharam”, conta. Envergonhada, conta que o município orientou que a filha fosse transferida para a EMEF Arthur Pereira de Vargas, mas a família achou longe demais, pois teria de pegar duas conduções por viagem para ir até a instituição. “A Prefeitura pediu para não acionar a Justiça”, revela.
Diversas reuniões, segundo ela, ocorreram com a direção e até mesmo com os membros da Secretaria Municipal de Educação (SME) do município, incluindo com o próprio secretário Eliezer Pacheco, sendo enfática ao afirmar que os membros da SME estavam cientes da situação, sobretudo de que a filha dela sofria bullying. O marido enviou cerca de 12 e-mails para a secretaria. “Todos sem resposta”, garante.
Mas o ápice foi em março deste ano, quando a própria mãe foi agredida fisicamente por outras mães do colégio. Ela foi cobrar providências depois que a filha foi agredida por uma colega e a direção se recusou de chamar a mãe do menino. Isso para ela, foi a motivação maior para a agressão que, segundo Maria, a direção sabia do que ocorreria quando ela foi agredida por cerca de 10 mães em frente à EMEF, mesmo que com alunos assistindo. “A diretora não ligou para a BM e nem para o meu marido”.
Isso mudou a vida de Maria, que não anda mais pelas ruas de seu bairro com medo. “Até hoje não saio mais de casa a não ser de carro. Não posso mais pegar um ônibus”, conta. A filha foi então removida para uma escola particular, com vaga comprada pelo município.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Canoas afirmou que “confirma a ocorrência e informa que foram tomadas as medidas cabíveis. Frente aos acontecimentos, como regra em todos os atos que de alguma forma possam ter conexão com atos decorrentes da prestação de serviços públicos municipais ou de agentes públicos municipais, foi determinada a imediata instalação de sindicância para averiguações. O processo, aberto em 21 de junho, corre sob sigilo para preservar a identidade dos estudantes.”
