Agentes da fiscalização portam identificação . Foto: Gustavo Garbino/PMC
Agentes da fiscalização portam identificação . Foto: Gustavo Garbino/PMC

Por Bruno Lara
@bruno_lds

Após reportagem publicada por OT, na última semana, tratando sobre uma gata atropelada que deixou de receber atendimento no Centro de Bem Estar Animal (CBEA), o secretário da coordenadoria, Gabriel Gonçalves, visitou a redação para falar sobre o assunto. Natural de São Borja, Gabriel é técnico em meio ambiente e graduando em Ciências Sociais, tendo atuado como diretor de Estudos e Pesquisas, e diretor de Planejamento Urbano e Ambiental no Instituto Canoas XXI.

Gonçalves esclareceu que a Prefeitura não atende aos animais que possuem tutor. “Atendemos apenas animais de ruas e comunitários”, esclareceu lembrando que “não é o objetivo” do Centro atender aqueles pets que possuem responsáveis. “Existem muitos animais de rua que não têm ninguém por eles”, afirma, lembrando que o espaço promove a castração também a famílias cadastradas em baixa renda. “Em um primeiro momento não tem como se atender”, aponta.

Em números

Segundo o responsável pela coordenadoria, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que tenham 30 milhões de animais de rua no Brasil. Em Canoas, a estimativa do órgão é que são 5 mil animais em condições de rua.

De agosto do ano passado a agosto deste ano, segundo o órgão, foram atendidos no CBEA 1.428 animais. “Hoje nós temos a população total de 130 animais. Internados e albergados”, esclarece. O espaço físico comporta 57 cães e 15 gatos internados. Destes, segundo ele, 30 vagas de internação estão sendo utilizadas no momento.

Ao longo dos seis meses, foram adotados 85 cães/gatos e 6 equinos; houve um total de 703 atendimentos, cerca de 30 por semana, 118 por mês, 315 fiscalizações de maus-tratos e abandono e 96 fiscalizações em residências.

Castrações

Neste mês de agosto, foram realizados 201 castrações. Ao todo, nos quatro anos de funcionamento, realizou 7.800 castrações, sendo a maioria cães, majoritariamente as fêmeas, embora atente que a população “pode e deve castrar os machos”. Desde o final de julho de 2016, mais um veterinário se juntou ao grupo.

O coordenador explica que o procedimento é importante para a saúde dos animais. “Neoplasia (tumor de mama) é o que mais procuram e não atropelamento”, isso se dá muito em função da troca da castração pela vacina, com hormônios, explica. “TVT também é uma doença venérea. Fazemos a quimioterapia dos animais. A cada quatro semanas, 10 animais. Todo o nosso serviço é gratuito”, garante. De uma média mensal de 150 animais, 100 passam por cirurgia, aponta. “Maior parte Neoplasia, depois atropelamento e brigas entre si”, são os campeões de atendimentos.

Programas

Também faz parte da cartilha do CBEA a parte pedagógica que visa a conscientização dos cidadãos sobre o tema. Silvia Hansen, que trabalha o assunto diretamente nas escolas municipais com o projeto “Soltando os Bichos na Escola”, acredita que é um processo visando o futuro. “De abril até agora, a gente atendeu, em média, 300 alunos. A ideia não é palestra em ir na escola, mas convencer o professor a introduzir o assunto dentro da aula dele”, argumenta.

Outro programa busca fiscalizar a denúncia de maus-tratos animais. São dois fiscais que atuam no município. De agosto a agosto, segundo o coordenador, 675 residências onde promoviam maus-tratos foram fiscalizadas, recuperando 2.380 animais em risco. Os mesmos portam crachás, carro oficial e notificam com papel timbrado da Prefeitura. Isso, segundo Gabriel, é “para evitar que alguma pessoa de má fé adentre a residência das pessoas”, argumenta. As fiscalizações podem ser solicitadas pelo número 0800-510-1234. Em caso de dúvida sobre a veracidade das informações ou quanto à identificação dos fiscais, os canoenses podem ligar para o número (51) 3427.1169.

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