
Por Marcelo Grisa
@marcelogrisa
A AES Sul revelou, no final do mês passado, que já realizou, apenas em Canoas, quase 15 mil podas de árvores que estariam interferindo na rede elétrica. O investimento, de cerca de R$ 550 mil, teria o objetivo de manter a estrutura da vegetação e não comprometer a infraestrutura da cidade.
Infelizmente, esse trabalho, por vezes, é ineficiente, e continua permitindo interferências da vegetação na rede elétrica. O corretor de imóveis Gerson Santos, por exemplo, enfrenta interferências e interrupções indesejadas de energia: a árvore de seu quintal, que é a maior da Rua Fernão de Magalhães, no bairro Harmonia, balança de forma violenta em dias de vento forte. “É só dar um vento mais forte que já bate no fio”, explica. A AES Sul já havia feito a poda no local, mas segundo o morador, apesar de seu pedido de um corte mais severo para evitar o transtorno, nada foi feito. “Eles vêm e só cortam à volta do fio. O resto nem adianta falar”, relata.
Nem bombeiros dão conta
O correto seria o cidadão realizar também pedidos à Prefeitura. O Corpo de Bombeiros também pode ser acionado para realizar a poda. Mesmo assim, nada foi feito também em uma rua próxima, a Machado de Assis. Na casa de Tereza Souza, uma figueira nativa enrosca-se nos fios da rua e os que levam energia à casa da idosa e de seus inquilinos. “Quando tem chuva, começa a queimar os galhos com as faíscas. Fica perigoso”, lembra.
Após ter a negativa do trabalho pela AES Sul (já que a empresa não pode lidar com vegetação nativa), o prefeito esteve em sua casa, ainda em 2013, prometeu soluções. “Até o Jairo [Jorge] veio aqui olhar, e não fizeram nada”, aponta Tereza. Apesar dos Bombeiros terem vindo à sua residência à época, a poda foi insuficiente. Após algumas semanas, o problema retornou.
A árvore, inclusive, também compromete a estrutura dos muros, com rachaduras e levantamento do piso do quintal. Ela teme que ela e as pessoas para quem aluga a casa ao lado tenham dificuldades maiores, já que a figueira está junto da grade externa do terreno. “Queria pelo menos que cortassem os galhos que ameaçam os fios e a casa. É um perigo”, preocupa-se. Segundo Tereza, sua filha tem tentado diversos trâmites junto à Prefeitura nos últimos três anos – todos sem sucesso.
Recurso mal utilizado
Ainda no bairro Harmonia, a rua José Maia Filho abriga a sede da Henerge – Empresa de Manutenção e Operação de Energia Elétrica Gaúcha Ltda. Ela é uma das empresas terceirizadas que atua junto à AES Sul realizando o trabalho de corte de galhos que ameaçam a fiação elétrica externa.
Entretanto, apesar da entrada e saída diária de caminhões do local, os vizinhos próximos alegam que ela nunca realiza o trabalho nas redondezas. “Minha casa é na frente deles e eles nunca vêm aqui. Ninguém da AES Sul poda aqui nessa parte da rua tem anos”, avisa a moradora Dagmar Regina de Souza Dutra.
Ela e os vizinhos precisam contar com a poda feita pelas empresas de telefonia fixa e móvel, quando estas precisam instalar e retirar fios, ou mesmo realizar o trabalho por conta, à margem da lei. “Eu não chego a precisar seguido, mas muita gente chama aí quando ninguém vê, pra cuidar com a multa”, explica. Segundo Dagmar, o seu único medo é justamente em relação à segurança dos familiares que moram em sua casa. “De vez em quando dá um barulho de choque dali, como se dois fios desencapados encostassem um no outro”, descreve.
A Prefeitura de Canoas informa que a responsabilidade pela poda no município é da Secretaria de Meio Ambiente (SMMA). Os serviços de corte podem ser feitos pela própria Secretaria, pela Henerge e pela AES Sul. As solicitações podem ser feitas por meio da Central de Atendimento ao Cidadão, pelo número 0800-5101234.