
Por Émerson Vasconcelos
Nos últimos anos, muitos políticos têm falado sobre o rebaixamento do trem na área central da cidade, como se essa fosse uma luta nova, uma ideia deles. No entanto, durante a pesquisa para a produção do caderno especial de 50 anos de O Timoneiro, nossa equipe de reportagem logo desenterrou a verdade. Antes mesmo da instalação da atual linha ferroviária da Trensurb, a sociedade estava preocupada e mobilizada para tentar impedir a divisão da cidade. Naquela época, no entanto, o Governo Federal não deu ouvidos para a população local e nem para os repetidos apelos da imprensa.
O Timoneiro publicou na capa de sua edição que circulou na cidade no dia 29 de junho de 1984 a manchete “Trem invade a praça”, seguida por uma dura crítica editorial à decisão governamental de instalar a linha na superfície, passando por uma área central e prejudicando o tráfego no entorno da praça da Bandeira e especialmente na entrada do Colégio Maria Auxiliadora. Os problemas previstos pelo jornal de fato ocorreram, pois o entorno da escola se tornou uma das áreas de trânsito mais problemático no Centro.
Outras edições de OT, do mesmo período, mostravam na capa o encontro de personalidades canoenses com autoridades estaduais e federais, buscando uma resolução para a questão. No entanto, os pedidos de atenção foram sucessivamente ignorados e no fim das contas a linha acabou sendo instalada como a conhecemos hoje.
Seria, portanto, querer apagar a história da cidade afirmar que só agora existem pessoas preocupadas com a divisão de Canoas pela linha do trem. O Timoneiro esteve presente na luta quando ela começou, não apenas noticiando cada batalha, mas engajado em cada uma delas.
