Eu poderia buscar no dicionário o sentido correto de saudade. Poderia colocar palavrinha por palavrinha, bonitinho. Me ocorreu agora que posso até voltar “naquela” praia em determinada primavera – mas você não estaria mais lá; assim como no “nosso” bar para preparar-lhes um cosmopolitan especial, com mais atenção, mais paciência. Mas as pessoas não teriam ido àquela festa, pois ela não existirá mais.
O tempo é coisa preciosa demais. Sei que todos nós sabemos, mas nem sempre conseguimos aproveitar. É aquele cacoete trazido no feto, da insatisfação crônica. E num piscar de olhos, nos perdemos, perdemos uns aos outros… como se a vida por si já não fosse difícil o bastante em seu natural, nós nos boicotamos incansavelmente.
Mas a saudade não é castigo dado aos distraídos, não. Ela é sinal de que vivemos coisas amáveis, de que abraçamos muitos corpos e viramos noites como quem se recusa a dormir, pois a vida urge nas notas de uma música festiva e necessária. Saudade é consequência doída, ardida, às vezes faz faltar o ar. Mas, é condição irrefutável seguir. Temos nosso encontro marcado com o futuro. Inclusive, já sinto uma galera atrás empurrando por ruas movimentadas de tantos protestos por um mundo ainda melhor, principalmente aqui dentro, neste coração que bate emocionado, ansioso pelas novas emoções – embora cheio de medo.
“Supernovas ecoam longe, quebrando a barreira do tempo-espaço, formando e incentivando novas formas de vida em todo o espaço…”
