Segundo a Wikipedia, “o ódio (do latim odiu), também chamado de execração, raiva, rancor e ira”, é um sentimento intenso de raiva e aversão. Traduz-se na forma de antipatia, aversão, desgosto, rancor, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo. O ódio pode se basear no medo, justificado ou não. É descrito com frequência como o contrário do amor ou da amizade; outros, no entanto, como Elie Wiesel, consideram a indiferença como o oposto do amor”. Para algumas culturas orientais, o ódio e o amor fazem parte de todo ser e a evolução só vem dependendo da parte que alimentamos. Para alguns especialistas a mão que alimenta esse lado do ódio é a religião, para outros uma cultura machista e misógina.
O atirador de Orlando odiava gays, segundo relatou seu pai e sua mulher disse que ele a espancava. Freud explicaria? Sim. Ele é fruto de toda uma construção social, misógina, homofóbica e, sobretudo, com fácil acesso a armamentos. Nascido nos EEUU, educado nos EEUU, então, antes de assumir essa parcela de culpa, desvia-se para o lado religioso, ou melhor, para o extremismo islâmico. Em Paris, ou na França, ao igual que nos EEUU, o mesmo ódio se manifesta, ora matando cartunistas (artistas), ora invadindo boates e atirando em todo mundo, alguma semelhança? Sim, muitas. Principalmente a motivação e a alimentação do mesmo tipo de ódio pelo diferente. O ódio não tem nacionalidade, não tem cultura. Alimentamos-nos ou não, por absorção cultural ou por radicalismos religiosos.
No Brasil, até este mês de junho, 130 pessoas foram mortas por razões homofóbicas. Em 2015 foram 319. Em 2014, 331, em 2013, 314 e em 2012 foram 338. Ou seja, há anos o Brasil mantém uma média de quase um assassinato por dia por razões homofóbicas. Segundo o site Catraca Livre, que apresentou um relatório divulgado pelo Grupo Matizes sobre “Denúncias de Violações de Direitos Humanos”, especificamente sobre a população LGBT, diz que: “o relatório apresentado pela Secretaria de Direitos Humanos, se comparado ao primeiro semestre de 2014, constata-se um aumento significativo de discriminação relacionada à orientação sexual e identidade de gênero. No rol de denúncias, 47% foram registradas na internet, enquanto 53% ocorreram na vida real: nas ruas, escolas, universidades, festas, empresas e demais setores de uma sociedade que se nega a tolerar a diversidade”. Aqui a endoculturação é outra. Um ódio alimentado principalmente por alguns “gurus” do neopentecostalismo e pela radicalização de comentários nas redes sociais.
O ódio é o mesmo em Orlando, em Paris e em São Paulo. Não se surpreenda se alguém desequilibrado invada qualquer lugar atirando. Aliás, nem precisa. Haverá quem aperte o gatilho, pois, igual a outros lugares do planeta, essa parte escura, o ódio, também está aqui sendo alimentada. Abraços fraternos.
