
Por volta das 8 horas desta segunda-feira, 6, dezenas de professores ocuparam a sede da 27ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), no Centro de Canoas. O novo secretario estadual de educação, Luís Antônio Alcoba de Freitas (PDT), que assumiu na manhã desta segunda, já tem um compromisso agendado para a terça-feira, 7, com estudantes, e pode determinar a desocupação, via judicial, da sede coordenada por Stela Steyer.
Para a diretora do 20º Núcleo do Cpers/Sindicato, Cleusa Werner, a ocupação é mais uma das ações realizadas pelo grupo para cobrar o governador do estado, José Ivo Sartori (PMDB). “Nós tínhamos colocado um cadeado no portão, visto que já estava no final do expediente, já tinham terminado de atender inclusive. Alguns nem voltaram do intervalo. Não teve expediente à tarde. Nós colocamos (o cadeado) pela nossa própria segurança”, destacou.
Força policial
A Brigada Militar (BM), que já tinha ido até a ocupação conversar com os manifestantes, voltou até a sede. “Eles mandaram tirar (o cadeado). Se não tirássemos, eles iriam cortar. O pessoal prontamente abriu, eles entraram, e a coordenadora começou a chamar os funcionários da CRE”, relatou. “Eu fui barrada. Não nos deixaram entrar. Estamos aqui com a equipe do jurídico do Cpers, que também foi impedida de entrar e estão vendo o que dá para fazer juridicamente”, concluiu.
Segundo o tenente coronel Oto Eduardo Amorim, a Brigada interviu em função da impossibilidade dos funcionários de trabalhar no local. “Em uma vistoria, observamos uma porta com sinais de arrombamento”, revelou. Esta porta, ainda segundo ele, dá acesso a computadores, dinheiro e registros dos professores. O oficial também declarou que soldados permanecerão na Coordenadoria enquanto a situação continuar.
Para o professor Miguel Stalter, de 53 anos, que estava dentro do prédio da Coordenadoria quando o mesmo foi fechado por policiais e membros da CRE, por volta das 20 horas da noite, o trabalho dos policiais foi truculento. Perguntado pela equipe de reportagem se poderia sair do local se quisesse, respondeu: Não podemos. A Brigada é truculenta. Eles ameaçam”, acusou.
Segundo Miguel, a porta arrombada foi fraudada para incriminar os ocupantes. “Eles fizeram uma vistoria e estão acusando a gente de arrombamento. Mas ninguém arrombou nada. Eles estão implantando coisas lá que não são verdadeiras. Ninguém mexeu em nada. Eles estão fazendo um joguinho”, acusou. Para Cleusa, a BM entrou “sem nenhum documento de reintegração de posse. Não apresentaram nenhum documento e a gente está no aguardo”.
Com professores ocupantes e soldados da Brigada Militar, a sede da 27ª CRE continua ocupada, inclusive durante a noite, e não deverá ter expediente na terça-feira, 7.