Professores ocupam sede da 27ª CRE em Canoas. Foto: Bruno Lara/OT.
Professores ocupam sede da 27ª CRE em Canoas. Foto: Bruno Lara/OT.

 

Cerca de 15 professores ocuparam na manhã desta quarta-feira, 17, a sede da Coordenadoria Regional de Educação (CRE), localizada na avenida Inconfidência, no bairro Marechal Rondon. A paralisação se deu em função da greve dos professores do estado que pedem o fim do parcelamento e um aumento nos salários, além de questionar atitudes do governo de José Ivo Sartori (PMDB).

Para a diretora do 20º núcleo do CPERS, Cleuza Verner, a greve é discutida há mais de um ano. Várias assembleias apontando a greve como a única ferramenta capaz de barrar os ataques desse governo contra os direitos da nossa categoria. Porém, a nossa categoria ficou titubeante e levou até agora, nessa última assembléia ocorrida na sexta-feira (13), para deflagar o movimento. Um movimento que a gente percebe que tem uma adesão forte na região e, também, a comunidade escolar, alunos e pais, estão nos apoiando”, pontua a sindicalista.

Diretora do 20º núcleo do CPERS, Cleuza Verner. Foto: Bruno Lara/OT.
Diretora do 20º núcleo do CPERS, Cleuza Verner. Foto: Bruno Lara/OT.

 

Motivação

Para os professores presente na sede da coordenadoria, são vários motivos para a paralisação. “A questão do parcelamento; a questão da defasagem salarial, que nós não temos o piso salarial, que já nem se fala tanto, mas é necessário; nós precisamos ter a reposição mínima, nem que seja da inflação do período”, pontua Verner.

Na sua proposição, o CPERS quer um calendário do Governo Estadual que estabeleça o futuro da categoria. “Nós queremos que o governo Sartori nos ofereça um calendário de reposição dessas perdas que a gente tem, que hoje atinge um patamar de 69,44% em relação ao piso nacional, e a reposição dada no ano passado no piso esse ano e, agora, no próximo período, o governo está mandando o projeto de diretrizes orçamentárias para o próximo período sem nenhum reajuste. A gente não suporta mais. A nossa categoria está em situação falimentar e o governo aperta mais o torniquete de retirada de direitos”, discursa Cleuza. “Ele aumentou a carga horária dos professores, mas não aumentou o salário”, conclui.

Colégio Marechal Rondon, um dos maiores de Canoas, aderiu à greve. Foto: Bruno Lara/OT.
Colégio Marechal Rondon, um dos maiores de Canoas, aderiu à greve. Foto: Bruno Lara/OT.

 

Adesão

Segundo a diretora do CPERS, a adesão é grande nas escolas de Canoas. “Escolas grandes estão 100% paradas. Hoje nós temos o Rondon (Marechal Rondon) parado, o Tereza Francescutti (Mathias Velho), o Jussara Polidoro (Guajuviras) desde ontem. Não temos como precisar (o número de professores parados) e esse levantamento está sendo feito pela nossa secretaria hoje. Mas temos escolas grandes paradas e menores parcialmente paradas”, acredita.

 

Reposição da aulas

Os maiores prejudicados na situação são os alunos que ficarão sem as aulas, muitos deles há meses de enfrentar a prova do Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM), em busca de bolsas como o PROUNI, o SISU e o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES).

“A gente está discutindo com a categoria de que forma será feita essa reposição. Se nos moldes como se fazia antes, com um calendário que se elabora com a comunidade escolar pela autonomia da gestão democrática sempre o calendário precisa passar pela aprovação do conselho escolar que são os representantes dos pais e dos alunos. Ou uma nova configuração no Rio Grande do Sul, porque em outros estados isso já acontece, que é a interrupção do calendário e a retomada do calendário assim que a gente retomar a greve. A greve é por tempo indeterminado e a categoria que vai dizer isso em Assembleia, mas estamos levando isso para debate nas escolas”, garante a representante do 20º núcleo.

Professora protesta contra propostas do governo Sartori na 27ª CRE. Foto: Bruno Lara/OT.
Professora Giany Rodrigues protesta contra propostas do governo Sartori na 27ª CRE. Foto: Bruno Lara/OT.

 

Sem condições

Para a professora Giany Rodrigues, que leciona há 4 anos, não há condições para dar aulas. “Nós decidimos parar porque não temos mais condições de dar aulas. A gente não tem papel higiênico nas escolas, a gente não tem Toner, a gente não tem tinta para o pincel e mais do que isso, a gente não tem mais condições nós de trabalhar, pois nosso salário está defasado, a gente não recebe o piso, a gente está recebendo parcelado, a gente não concorda com todos os projetos que o governo tem proposto para a Assembleia (Legislativa), nosso salário está congelado há dois anos e ainda vai permanecer congelado ao menos até o ano que vem enquanto o governo, os deputados, todos recebem”, reclama.

No seu entendimento a luta é, também, pelos alunos. “Entendo que eles estão preocupados com a recuperação de aulas e isso é uma coisa que a nossa categoria se preocupa porque somos a única categoria que repõe os dias. Mas eu, sozinha em sala de aula, não tenho como garantir qualidade”, expõe.

Para ela, o governo não cumpre a lei. “Não cumprem a lei e não nos garantem condições e querem que a gente cumpra a lei, querem que a gente permaneça em sala sem falar nada. Se falando a gente está, se a gente não falar vamos perder tudo que conquistamos com muita luta”, critica. “Os estudantes tomaram a frente da luta e é nossa obrigação apoiar eles”, conclui.

 

Veja fotos:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha esse campo
Preencha esse campo
Digite um endereço de e-mail válido.
Você precisa concordar com os termos para prosseguir