Pesquisa liderada por estudante de Fisioterapia mostra resultados promissores ao unir tecnologia e cuidado humano em Canoas
A inovação tem transformado o dia a dia dos pacientes atendidos no Centro Multiprofissional da Ulbra Canoas. À frente dessa mudança está Jaqueline Melo, estudante do 10º semestre de Fisioterapia, que decidiu apostar na realidade virtual como ferramenta terapêutica para auxiliar pessoas com doença de Parkinson. O projeto, que faz parte do seu Trabalho de Conclusão de Curso, vem mostrando avanços significativos em equilíbrio, coordenação motora e qualidade de vida dos participantes.
Inspirada pelo contato direto com pacientes na clínica-escola, Jaqueline criou o estudo
“O impacto da realidade virtual não imersiva na velocidade da marcha, equilíbrio dinâmico, quedas e qualidade de vida em indivíduos com doença de Parkinson”.
As sessões acontecem duas vezes por semana e utilizam jogos interativos, como bambolê, caminhada e boxe, para estimular o corpo e a mente.
“Já percebemos mudanças positivas no equilíbrio e na coordenação motora, especialmente com o jogo do bambolê. O medo de cair diminuiu bastante”, relata Jaqueline, que ainda fará uma nova avaliação para comparar os dados com os resultados iniciais.
Tecnologia a favor da saúde
A orientadora do projeto, professora Simone Poletto, destaca que o uso de jogos eletrônicos tem se mostrado uma poderosa ferramenta de apoio no tratamento da doença de Parkinson, segunda condição neurodegenerativa mais comum entre idosos.
“A realidade virtual ajuda a estimular movimentos e a motivar o paciente. Além disso, permite que nossos alunos desenvolvam raciocínio clínico e sensibilidade humana, qualidades essenciais na formação de um bom fisioterapeuta”, explica.
Superando limites
Entre os participantes do estudo está o professor aposentado José Silvio da Silva, 62 anos, diagnosticado com Parkinson há dois anos. Fiel às sessões, ele afirma que a experiência com a realidade virtual mudou sua rotina.
“Mesmo cansado, não deixo de vir. As atividades são dinâmicas e divertidas. Melhorei meu equilíbrio, tenho mais disposição e até o humor ficou melhor. A gente não pode parar”, diz.
Um projeto que une ciência e comunidade
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 8,5 milhões de pessoas vivem com Parkinson no mundo, sendo cerca de 200 mil no Brasil. Embora a cura ainda não exista, o tratamento multidisciplinar, que envolve fisioterapia, acompanhamento médico e apoio psicológico, é essencial para manter a autonomia dos pacientes.
Na Ulbra Canoas, esse cuidado é ampliado por meio da clínica-escola do Centro Multiprofissional, que oferece atendimentos a baixo custo e promove a integração entre ensino, pesquisa e comunidade.