Com 9 metros de comprimento e visual que lembra uma borboleta gigante, o SolarButterfly, maior veículo movido a energia solar do mundo, fez uma parada estratégica em Canoas nesta semana. O projeto suíço, que está na reta final de uma volta ao mundo de quatro anos, esteve na Unilasalle para atividades com estudantes e professores da universidade.
Rebocado por um carro elétrico e abastecido por asas solares retráteis, o SolarButterfly consegue percorrer até 200 quilômetros por dia sem emitir qualquer poluente. A estrutura funciona como uma pequena casa sobre rodas, equipada com cozinha, camas, chuveiro, oficina e espaço de trabalho. Mais do que uma inovação tecnológica, o veículo é um símbolo da busca por soluções viáveis frente às mudanças climáticas.
Além do impacto visual, o projeto impressiona também pela proposta de sustentabilidade em sua construção: grande parte da estrutura foi feita com garrafas PET recicladas retiradas dos oceanos. Ao todo, o veículo conta com 80 metros quadrados de painéis solares que alimentam sua jornada.
O SolarButterfly partiu da Suíça e já percorreu mais de 86 mil quilômetros, passando por 43 países nos cinco continentes. A iniciativa é coordenada por uma ONG em parceria com a Universidade de Lucerna e tem como idealizador o suíço Louis Palmer, pioneiro em mobilidade solar. O objetivo principal é apresentar ao público soluções acessíveis e reais para enfrentar o aquecimento global.
Durante sua passagem por Canoas, a equipe do SolarButterfly foi recebida no pátio da Unilasalle para um encontro com alunos de diversos cursos, em uma atividade de integração e sensibilização ambiental. Entre os integrantes do grupo está o brasileiro Kaique Sergio dos Santos, estudante da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que se uniu ao projeto como voluntário.
A visita a Canoas integra o trajeto final do SolarButterfly até Belém do Pará, onde participará da Conferência do Clima da ONU, a COP 30, em novembro. De lá, o grupo deve seguir para a Colômbia, encerrando uma expedição que buscou, ao longo dos últimos quatro anos, unir ciência, educação e ação climática.
Segundo Simon Hofmann, um dos tripulantes do projeto, o nome SolarButterfly simboliza a transformação urgente que a humanidade precisa fazer. “Como uma borboleta que passa por mudanças para se tornar algo novo, também estamos mostrando que já existem soluções concretas para reduzir o impacto ambiental e construir um futuro melhor”, afirmou.
Em cada parada, o grupo coleta e compartilha iniciativas sustentáveis de baixo custo que estão dando certo em diferentes partes do mundo, como turbinas em forma de peixe que geram energia a partir de riachos, na Alemanha, ou silos de areia que armazenam calor no verão para aquecer casas no inverno, na Finlândia.
A passagem do SolarButterfly por Canoas reforça o papel da Unilasalle como espaço de conexão entre conhecimento, inovação e responsabilidade ambiental, e chama atenção para a necessidade de agir agora diante da crise climática global.