A Polícia Civil revelou que o número real de eutanásias de cães e gatos autorizadas pela ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, é quase o dobro do que consta nos registros oficiais da prefeitura.

Dados apontam 478 eutanásias entre janeiro e julho de 2025, enquanto os registros oficiais indicavam apenas 239. As informações foram obtidas a partir de um caderno mantido por uma servidora, que anotava os procedimentos de forma paralela.

Paula Lopes é investigada por estelionato e maus-tratos a animais, sob suspeita de utilizar animais resgatados para campanhas de arrecadação via PIX e depois realizar eutanásias, muitas vezes de forma indevida.

O que dizem os depoimentos

Uma veterinária que atuou na gestão relatou à RBS TV que havia pressão para realizar eutanásias em animais com possibilidade de tratamento. Além disso:

  • Veterinários eram orientados a não registrar a data do óbito;

  • Havia ordens para sacrificar animais com doenças tratáveis, como FIV, FELV e cinomose;

  • Profissionais eram pressionados a assinar atestados de óbito em branco;

  • Um caso relatado envolveu a sugestão de amputar membros de um cão com fraturas, em vez de operá-lo — por questão de economia.

“Era, no mínimo, uma eutanásia por dia. Isso não é normal”, relatou a veterinária.

Motivo: economia?

Segundo a delegada Luciane Bertoletti, responsável pela investigação, o custo foi um dos fatores considerados para a decisão de sacrificar animais.

“Tratar um gato com esporotricose custa cerca de R$ 300 por mês, por até seis meses. A eutanásia custa de R$ 50 a R$ 100”, explicou a delegada.

Investigação

A ex-secretária Paula Lopes foi exonerada em agosto de 2024. Até agora, 17 pessoas já foram ouvidas, incluindo uma tratadora e tutores que levaram animais à secretaria e não sabiam que seriam sacrificados.

A Polícia Civil também deve ouvir gestores da empresa terceirizada que prestava serviços ao órgão.

O que diz Paula Lopes

Em depoimento, Paula Lopes negou todas as acusações. Sobre os R$ 77 mil em dinheiro vivo encontrados em sua casa, alegou que o valor seria fruto da venda de um apartamento. A polícia investiga a origem do dinheiro.

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