Legenda: Almoço comemorativo à emancipação de Canoas em 27 de junho de 1939, no Salão Paroquial da cidade. Foto: Arquivo Histórico Municipal/Divulgação/OT

Nesta sexta-feira, 27 de junho, Canoas completa 86 anos de emancipação política ainda em meio à maior crise de sua história. Entretanto, é necessário conhecer a história da cidade para pensar nas próximas décadas. Muitos indivíduos e organizações tornaram o munícipio uma realidade, e outras tantas possibilitaram o seu crescimento até os dias atuais.

Origens e nome

A primeira estação de trem, de madeira, foi inaugurada em 1874, há 150 anos, onde hoje fica a Av. Victor Barreto. O local era uma das estações de uma linha férrea anterior à Trensurb. Essa linha chegou a ser usada no caminho entre Porto Alegre e cidades como Caxias do Sul e Uruguaiana, na Fronteira Oeste do Estado.

À época, o território canoense e de outras cidades da Região Metropolitana era a Fazenda Gravataí. Sua sede ficava onde hoje é o bairro Estância Velha. O povoamento foi ideia do Coronel Vicente Ferrer da Silva Freire, marido de Rafaela Pinto Bandeira, uma das herdeiras daquelas terras.

Os trabalhadores aproveitavam as toras derrubadas na construção para fazer canoas, necessárias para a travessia dos córregos e arroios da região. Por isso, a vila que cresceu em volta da estação passou a se chamar Capão das Canoas. Era, na época, ponto de veraneio das famílias de Porto Alegre.

Ao longo das décadas, o território, então pertencente a Gravataí, foi se expandindo. Em 1908, os irmãos lassalistas chegaram à cidade e fundaram o que viria a se tornar, atualmente, a Unilasalle, que fica hoje em frente à antiga estação de trem.

A autonomia religiosa pela Igreja Católica foi o primeiro de uma série de movimentos que viria a culminar na emancipação política.

Década de 1930 e a emancipação

Trabalhadores constroem via férrea em Canoas
Trabalhadores constroem via férrea em Canoas

Em 1934, há 90 anos, o atual prédio da estação férrea passava a funcionar. O local hoje abriga um espaço para encontros, ensaios e apresentações de grupos culturais.

Três anos depois, em 1937, instalava-se o 3º Regimento de Aviação Militar (RAV). A ocupação pela Aeronáutica colocava o local como uma base aérea estratégica próximo da capital. Isso viria a ser provado em várias ocasiões, tais como a enchente de 2024, com o local sendo usado como aeroporto na impossibilidade de uso do Salgado Filho, em Porto Alegre.

Depois disso, em 1938, Canoas é elevada à condição de vila pelo governo do Estado. Esse movimento foi encabeçado pelo médico Victor Hugo Ludwig, que levou à Porto Alegre uma carta, ainda no ano anterior, expondo os motivos para a emancipação.

Canoas se tornaria uma cidade de fato apenas um ano depois, em 27 de junho de 1939. O primeiro prefeito, apontado pelo interventor federal no Estado, o general Flores da Cunha, foi Edgar Braga da Fontoura, em 15 de janeiro de 1940.

A pessoa que passou mais tempo como prefeito de Canoas foi Hugo Simões Lagranha. Além de ter sido eleito para três mandatos, também foi nomeado em duas oportunidades, somando 18 anos no comando do Executivo municipal. O Museu Histórico Municipal, inaugurado por ele em 1990, mais tarde passaria a levar seu nome.

Desenvolvimento

O que começou como um ponto de veraneio passou a se expandir de forma ainda mais rápida após a emancipação. Na década de 1970, o município teve ampla expansão populacional, e hoje é o terceiro maior do RS, com 347.657 habitantes, atrás apenas de Caxias do Sul e da capital.

Canoas também tem forte presença da indústria ao longo dos anos. A construção da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) pela Petrobrás incluiu a cidade no polo petroquímico estadual, atraindo outras empresas.

O município também conta com sedes de grandes empresas de máquinas e implementos agrícolas, por exemplo. Essas e outras empresas, junto com os setores de serviço e comércios da cidade, fizeram dela o terceiro maior PIB do Estado.

Segundo dados relativos a 2021, Canoas tem um Produto Interno Bruto de cerca de R$ 21,99 bilhões, o 56º maior resultado do país. A cidade produz R$ 63.267,42 por habitante, o chamado PIB per capita.

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