sinara17032016

 

Somos carentes. Todos. Alguns de nós mimados, outros não. Talvez um amargor pela pobreza de amor, carinho, cuidado, atenção. Vou além, insinuo que a maioria é pobre de todo o amor que deseja. Pobres de todo o amor que necessitam.

Numa rotina de ringue (onde somos socados e socamos a todo instante), que é a da maioria dos brasileiros que saem sem ter mesmo o tempo de dar aquele que pode ser o último beijo em quem ama, para gerar renda pra viver, e nessa carência decadente, o amor alheio que tanto nos falta, nos faz mais pobres ainda dum amor por nós mesmos. Fraqueza.

Nos tornamos fúteis. Passamos a odiar profundamente, internamente, a felicidade alheia, gratuitamente. E assim como odiamos aleatoriamente, talvez por tédio, adotamos pessoas para adorar. Depositando em personalidades e coisas nosso amor já tão pouco.

Carentes, como crianças, precisamos de heróis para a vida realmente ter graça. Já que nós já não somos lá grande coisa. Precisamos de gente boa mesmo (em alguma coisa) para nos representar. Precisamos de salvadores, pois nós já estamos tão cansados mesmo. Alguém que venha nos tirar da monotonia. Alguém que tenha a coragem que não temos. Alguém para odiar. Alguém para venerar.

Então a brincadeira todos já sabem. Vamos tacar pedra em quem não amamos. Vamos falar que é vagabunda, que não faz nada; que é burra e feia. Vamos expulsar do grupinho quem não é importante, para não enfraquecer o time. Vamos amar e idolatrar aqueles que aparecem nas revistas e televisão. O bonitão, a gostosona, aquele famoso lá, que eu não sei nem o que faz.

Carentes, e cansados, continuaremos sentados em nossas poltronas mofadas, apedrejando quem não nos serve, e elegendo heróis os personagens da novela da vida real: os canalhas, os mocinhos, mas tudo tem que estar em seu lugar. Veja bem, entendamos bem quem é o canalha, e quem é o mocinho.

Veneremos o mocinho, o herói da vez.

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