
O Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) se reuniu no sábado, 5, em Porto Alegre, para decidir o futuro da sigla a nível federal. O resultado foi o já esperado. Lideranças do partido no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, com discursos inflamados, pediram a saída da sigla do governo, mesmo que o vice-presidente da república seja o filiado Michel Temer.
O partido lançou a “Carta do Sul”, o que chamou de “um grito de alerta ao partido nacional e ao povo”. As lideranças políticas pediram, inclusive que a legenda “deixe imediatamente o governo federal, retome o projeto pela candidatura própria à presidência da República, aprofunde a discussão de sua proposta para o País”, pedindo a “recondução de Michel Temer ao comando nacional na Convenção do próximo dia 12, em Brasília”.
Cenário atual motivou decisão
A justificativa dos membros são os últimos acontecimentos do cenário, muito influenciados pelo mandato de condução coercitiva (quando se é obrigado a ir prestar depoimento) do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrido na sexta-feira, 4. “Partido sem candidato acaba por ser escravo”. Dizia a JPMDB-RS em referência ao hino do estado do Rio Grande do Sul.
Ibsen Pinheiro se destacou pelo discurso inflamado chamando a militância. “Cumprida a tarefa histórica de sepultar o regime militar, neste momento de incerteza temos o papel condutor da superação da crise econômica e moral”, discursou.
Roberto Requião, Senador pelo Paraná e presidente da sigla no estado, disse que é preciso que hoje um renascimento do “velho MDB de Guerra”. “O Brasil precisa retomar o caminho do desenvolvimento e de enfrentamento do domínio do capital financeiro”, defendeu em mais um discurso voltado para a economia.
Pedido de mais ação em SC
Representando o estado de Santa Catarina, o deputado Mauro Mariani, comandante do PMDB-SC, defendeu que o partido esteja conectado com o novo momento do País. “É preciso prestar atenção e entender a mensagem da população brasileira. Velhos discursos não irão construir novos caminhos”, pedindo serenidade.
Ex-governador quer saída de Dilma
“Chega de ser vagão quando temos que ser locomotiva. A hora é agora!”. O discurso provocativo é do ex-governador do RS, Germano Rigotto. Embora tenha alertado que, neste momento, a legenda precisa ter responsabilidade para não colocar “mais combustível na crise”, foi explícito ao exigir à saída do Governo Dilma Rousseff (PT) e candidatura própria à presidência da República. Ainda sustentou que o partido do Sul leve à convenção nacional a decisão de reconduzir o presidente Michel Temer à presidência do partido.
Os deputados federais Darcísio Perondi e Osmar Terra também deixaram o seu recado. “O partido deve se afastar dessa desastrosa condução do país”, reivindicou Terra. E Perondi convocou a militância para ir às ruas na manifestação marcada para o dia 13 de março, quando estão marcadas manifestações contrárias ao governo de Rousseff. O Partido dos Trabalhadores, por sua vez, também está convocando a militância para ir as ruas no dia 13 de março.
Simon comparou atualidade com a redemocratização
Um dos ícones do PMDB na luta das Diretas-já, Pedro Simon comparou a atual situação do país com a do passado. Para ele, “o partido que berrou pelas Diretas-Já tem uma nova responsabilidade e a hora é agora”, declarou. Otimista, o ex-senador afirmou que “o Brasil começa a mudar”.
Como é de praxe em seus discursos, relembrou o histórico encontro do MDB na capital gaúcha que levantou as bandeiras que resultaram na redemocratização. “Lula conclamou forças em sua defesa. E nós, precisamos ir às ruas, para pedir Justiça e deixar que Supremo Tribunal Federal decida”, conclamou.
Porto Alegre na briga
O representante da Capital no encontro foi o vice-prefeito, Sebastião Melo. Para ele, o partido “não aceita a palavra “golpe” para aqueles que foram fiadores deste direito”, afirma relembrando que o partido foi um dos que ajudou no período de redemocratização. “Quando o PT governa, os pobres pensam que governam e os ricos têm certeza” e frisou que “o governo mais benevolente com os banqueiros foi o do ex-presidente Lula”.
Sartori quer preservar a democracia
O contestado governador dos gaúchos, José Ivo Sartori,falou em responsabilidade do PMDB com a nação. “Estamos ressuscitando uma época como aquela em que o MDB fez o resgate democrático e é preciso respeito às instituições. Democracia é um bem tão grande que precisa ser preservado a qualquer custo”, disse pedindo serenidade e tranqüilidade.
Simon e Padilha na executiva nacional
A indicação dos estados do sul para compor a executiva nacional do partido foi conservadora e apostou em grandes nomes do passado como Pedro Simon e Eliseu Padilha, isso em função de dos gaúchos reivindicarem duas vagas na discussão nacional. “Não vamos a Brasília para receber um pacote pronto. Vamos buscar uma composição que contemple o Brasil”, disse o vice-prefeito de Porto Alegre.