emerson07032016

Vazamento de informações

Por Émerson Vasconcelos 

O papel do jornalismo não é jogar em cima do público qualquer informação que chega a uma redação. Pelo contrário, cabe aos jornalistas a checagem das informações e só depois, se elas forem condizentes com a realidade e representarem o interesse público, vem a publicação. Em alguns casos, no entanto, a checagem da veracidade pode se dá já na chegada da informação. Se alguém de dentro da Polícia Federal vaza informações de uma delação premiada, com provas de que o depoimento de fato foi dado, se trata de uma informação publicável. No entanto, nem tudo que é vazado merece ser publicado.

Para não deixar dúvidas sobre minha posição, esclareço e concordo com a estratégia da revista Isto É, que decidiu publicar o vazamento do conteúdo da delação premiada do senador Delcídio do Amaral. O que não significa que eu concorde com a publicação de qualquer vazamento. O ponto mais importante antes de se publicar qualquer informação já verificada, seja oficial ou vazada, é o interesse público. Não adianta de nada a informação ser real, se ela não interessa a ninguém.

Só que é irresponsável o veículo que tem em mãos um conteúdo do calibre da delação de Delcídio e opta por “sentar em cima” da informação. Obviamente existe um dilema ético, já que a publicação da delação pode prejudicar o andamento das investigações. Só que aí não é problema do jornalista ou do veículo, a culpa deste prejuízo é de quem, dentro da Polícia Federal, vazou ou deixou vazar o conteúdo da delação.

Vejo muitas pessoas reclamando da mídia, chamando quem noticiou o vazamento da delação de Delcídio, ou mesmo quem cobre com ênfase a Operação Lava-Jato, de “golpista”.

Não há nenhum golpe em entregar ao público informações que são de interesse do povo. Errado estará se uma delação vazar, seu conteúdo implicar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e a mesma mídia que expôs o que Delcídio fala de Lula e Dilma não noticiar. Isso pode já ter acontecido? Claro que pode. Mas daí o problema é outro.

Deve-se reclamar daquilo que é verdade e que a mídia não publica, não daquilo que ela publica e que não agrada uma parcela de quem lê, assiste ou ouve.

 

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