Você é contra ou a favor que meninas usem shorts nas escolas?

A questão parece simples, mas não é. Com a notícia de que jovens do Colégio Anchieta estavam manifestando pelo direito de usar shorts na escola surgiram comentários de todas as espécies nas redes sociais. Aqueles que eram contrários e os que eram favoráveis se digladiaram na tentativa de impor ao outro sua maneira de pensar.

Um abaixo assinado foi lançado pelas alunas com idade entre 13 e 17 anos, intitulado “vai ter shortinho, sim”, destinado aos coordenadores e diretores da escola, este arrecadou mais de quatro mil assinantes. Na internet, a petição ultrapassou os 13 mil apoios.

Para a professora Maria Rosane da Rosa, 54 anos, que se aposentou em 2012 após 30 anos trabalhando na rede municipal de ensino de Canoas, a profissão é uma das mais respeitosas para as mulheres. “Antigamente era mais fácil, tinha mais participação dos pais, dos alunos. Hoje em dia ainda tem, mas são poucos, tem que ir atrás. O número de alunos também mudou. No início era no máximo 30 alunos, no último ano que trabalhei tinha 40 alunos em sala de aula. A educação piorou”, aponta a canoense que conhece o município desde 1961.

Professora acredita que edução piorou. Foto: Bruno Lara/OT
Professora acredita que edução piorou. Foto: Bruno Lara/OT

 


 

A redação de O Timoneiro foi ouvir canoenses sobre a polêmica do shortinho:

Lizy Novo. Foto: Arquivo pessoal
Elizandra Novo. Foto: Arquivo pessoal

“Tendo em mente que o Colégio Anchieta é uma instituição Jesuíta, entendo suas preocupações quanto às vestimentas “ousadas” dos alunos, independente do sexo, e por este motivo não acho que precise ser feita a liberação geral do “shortinho” na escola, mas possa ser acordado com a instituição, até por respeito a ela e também as alunas, um tamanho ideal para a vestimenta que não prejudique o objetivo da instituição, a educação dos alunos, e claro, suas crenças. Apesar de o meu pensamento ser mais focado para a solução e acordo de ambas as partes, não podemos esquecer que dentro do protesto temos outras pautas a entrarem em debate, como a desobjetificação da mulher, visão que o homem tem sobre a mulher, respeito, julgamentos por vestimenta, machismo na sociedade/religião, diferença de direitos (para ambos os sexos), dentre outros. ”

Elizandra Novo da Rosa
Laboratorista de Apoio ao Ensino – Unisinos

 

Angela Berthon
Angela Berthon. Foto: Arquivo pessoal

“A campanha #vaitershortinhosim não é apenas sobre o direito de usar ou não shortinho na escola, mas também serve para promover a autonomia corporal de todas nós, e para que os homens sejam educados a respeitá-la. Bem vindas meninas ao pensamento feminista que precisa rebater o machismo que enfrentamos ate hoje, infelizmente.”

 
Angela Berthon
Jornalista e Relações Publicas

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