O Grupo O Timoneiro entrevistou, na semana que passou, alguns dos muitos heróis que a cidade de Canoas teve durante a crise climática e social que atravessou boa parte da cidade durante as enchentes do mês de maio.
A entrevista faz parte da série Histórias da Enchente de 24, parte do especial Canoas +85 Anos
O criador e líder da organização Resgate Sem Fronteiras, Benedito Rodrigues Correa, veio de São Paulo para atuar no auxílio humanitário e também pela causa animal, tirando de telhados e terrenos muitos animais que hoje estão no Abrigo Pata Molhada, no bairro Mathias Velho.
Morador de Guarulhos, na Grande São Paulo, há 45 anos, Correa, como é conhecido, é ecologista e ambientalista, e sempre plantou muitas árvores. “Isso tudo tem a ver com o meio ambiente. Estamos prejudicando demais ele. Por isso a importância do plantio de árvores dentro das cidades, assim como a reciclagem”, aponta.
Desde o começo de maio, muitas árvores também foram plantadas em torno do Pata Molhada por conta da atuação de Correa e das equipes que o auxiliam.
No estúdio também estiveram as cachorras Fronteiras e Resgate, que nos últimos anos atuam no projeto que tem mais de quatro décadas de existência com trabalhos em catátrofes em diferentes regiões do Brasil, como as tragédias de Brumadinho e Mariana, em Minas Gerais.
Correa também explicou como funciona o uso dos cães nos trabalhos de resgate. Os animais pegam o cheiro do alvo com o uso de roupas ou outros objetos da pessoa desaparecida, e são colocados na área para procurar. Ao encontrar, algo, as cachorras sentam, deitam ou mesmo cavocam a terra no ponto indicado. “Aí eu só sinalizo para quem da Defesa Civil, dos Bombeiros ou quem estiver de fato no resgate oficial para procurar, com uma vareta ou algo do tipo, e saio de cena”, disse.
O ambientalista acredita que nunca teve tantas tarefas como na recente crise climática no Rio Grande do Sul. Ele e outros membros do grupo foram não apenas a Canoas e Porto Alegre, mas também a cidades como Eldorado do Sul, mas também para o Vale do Taquari, dada a proximidade e oportunidades de resgate nesses locais. “Nem em Brumadinho ou Mariana eu vi a gente ser tão necessário”, comentou.
No RS, Correa também conheceu novos membros para o grupo. “Depois eu volto para São Paulo, mas o trabalho aqui vai continuar”, declarou.
Juntos, cães e humanos continuam o trabalho junto de veterinários e protetores dos animais que atuam em Canoas desde as enchentes.
Correa ainda lembrou de um caminhão de mantimentos que chegou ao Pata Molhada com 50 toneladas de mantimentos, de produtos de higiene a alimentos. Uma caixa, porém, despertou seu interesse.
Eram 50 cartas de crianças do Ensino Fundamental da cidade de Rio das Pedras, interior de São Paulo. Elas vinham com alimentos e doces para as crianças. Num primeiro momento, não era possível destinar essas mensagens às crianças. Em junho, com a passagem das águas, as cartas foram entregues.
“Pedimos para os pais lerem as cartinhas para os filhos. Elas mandaram para a gente vídeos agradecendo e mandando mensagens para as crianças que enviaram tudo aquilo. Isso é muito puro. Me dá esperança que o ser humano tem ainda muita capacidade para fazer o bem”, afirmou.
Confira a entrevista completa também pelo YouTube da OTPlayTV: