Marcelo Grisa
marcelogrisa@gmail.com
O que você lerá a seguir parece que foi publicado em 2024. Mas falaremos de uma outra grande enchente, ocorrida em 1967 em Canoas.
Como qualquer coisa importante ocorrida na cidade nessa época, o Jornal O Timoneiro, na época com pouco mais de um ano de existência, publicou matérias a respeito.
Espera e estudos
O dia 21 de setembro era uma quinta-feira, quando ocorre o fechamento de mais uma edição. Isso fez com que a primeira menção ao caso ocorresse já nos exemplares de 22 a 29 daquele mês.
Na capa, um texto falava sobre a recente visita de um grupo de engenheiros alemães que visitaram a região para estudar o Rio dos Sinos, que também passa por Canoas.
O chefe do grupo, Otfried Schneider, apontava que a melhor saída era a retificação do curso d’água. Ele previa que ocorreria uma grande concentração de população e indústrias em torno do rio.
Na mesma edição, fala-se da espera dos moradores do bairro Mathias Velho para que a água baixasse. O pensamento geral nesses locais, de acordo com a reportagem da época, aponta para um sentimento de desencanto, mas de coragem dos canoenses para encarar o futuro.
Números e danos
Na edição seguinte, de 29 de setembro a 6 de outubro, a coluna Antena abordava o assunto novamente na capa do jornal.
O texto, escrito pelo fundador de O Timoneiro, Canabarro Tróis Filho, o Tonito, trazia críticas à forma como o problema das enchentes era encarado pelo poder público naquela época.
Além de apontar que, até aquele 23 de setembro, eram 5.127 desabrigados no município, a coluna falava dos danos não apenas materiais, mas o fim da rotina e das relações entre os deslocados pelas águas.
Ao fim do texto, Tonito usa a seguinte frase:
“Afinal, dizem que os povos se situam à sombra das florestas e à margem dos rios, nem que seja para se afundar, como é o nosso caso — embora estejamos em Canoas.”
Legado das enchentes

No jornal O Timoneiro que foi impresso para a semana dos dias 7 a 13 de outubro de 1967, um terceiro texto foi publicado.
Intitulada “O triste legado das cheias”, a matéria relata alguns dos fatos da enchente.

Por conta da enchente de 1965, o Exército e a Aeronáutica contribuíram para um plano de salvamento elaborado pela Prefeitura de Canoas, na época comandada por Hugo Simões Lagranha.
Cerca de 200 ruas ficaram alagadas, e lugares como o Colégio Carlos Chagas, no Niterói, chegaram a abrigar mais de mil pessoas por vez. Enquanto isso, madeireiras colocavam seus funcionários para construírem barcos para o resgate.
As duas emissoras de rádio da cidade saíram do ar por terem suas antenas atingidas. O Timoneiro foi um dos poucos veículos de comunicação da cidade que continuou prestando informações ao público naquele período.