A primeira casa emergencial dos Centros Humanitários do governo estadual foi instalada na quinta-feira, 6, em Canoas. A montagem foi feita por membros do Exército Brasileiro e da Agência das Nações Unidades para Refugiados (Acnur) em um dos dois Centros Humanitários de Acolhimento (CHAs) canoenses, próximo à Refinaria Alberto Pasqualini (Refap).

Foram necessárias cerca de seis horas para colocar a estrutura de pé. Entretanto, estima-se que, com mais prática, esse tempo seja mais curto.

As estruturas sustentáveis são usadas em operações da Acnur em todo o mundo. Elas funcionam como uma alternativa emergencial até a construção de moradias definitivas.

A casa possui cerca de 18 metros quadrados e capacidade para abrigar cinco pessoas. Com 2,83 metros de altura, 5,68 metros de comprimento e 3,32 metros de largura, a unidade tem quatro janelas pequenas, saídas de ar para ventilação e porta com fechadura.

A estrutura conta também com placa de energia solar, o que permite acender lâmpada e carregar celulares e outros equipamentos portáteis, como tablets.

Essas casas têm estruturas que podem durar até dez anos. Já os painéis têm três anos de durabilidade e são feitos de uma espécie de plástico tratado, com proteção contra incêndio, umidade e mofo.

As janelas contam com mosquiteiros e são feitas em tamanho e formato padrão para preservar a privacidade das famílias. Há também uma cortina, que pode ser usada como divisória, repartindo a casa em dois ambientes.

No piso, usa-se uma lona, que é removível e lavável. Os painéis também podem ser higienizados facilmente, com água, sabão e pano úmido.

Dois centros para mais de 1,6 mil pessoas

Os governos municipal e estadual estabeleceram a instalação na Refap, onde ficarão mais de 700 pessoas, e no Centro Olímpico Municipal (COM), no bairro Igara, onde mais de 900 desabrigados terão espaço.

O convênio para os dois CHAs foi assinado também na quinta-feira, 6, com a presença do prefeito Jairo Jorge e do vice-governador, Gabriel Souza.

Toda a estrutura do complexo será custeada pelo Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac. Outras instituições também ajudaram com serviços e doações. Já a gestão dos centros ficará sob a responsabilidade da Organização Internacional para as Migrações (OIM), integrante da rede da Organização das Nações Unidas (ONU).

Adaptável a vários contextos de emergência humanitária, o projeto foi feito de forma colaborativa entre Acnur, a empresa social Better Shelter e a IKEA Foundation. Atualmente, há unidades sendo utilizadas na América do Sul, Europa, África e no Oriente Médio.

No Brasil, o modelo é empregado já há alguns anos para receber imigrantes venezuelanos em Roraima, onde serve como moradia e também escola, posto de saúde, clínica e outras estruturas de apoio.

Nas Américas, unidades desse tipo também foram muito utilizadas no período da pandemia de Covid-19 para montar hospitais de campanha.

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