Canoas tem menos de 3,2% da população do Rio Grande do Sul. Tem 347.657 habitantes, em um Estado que tem mais de 10,8 milhões de pessoas. Ainda assim, sendo a terceira cidade mais populosa do RS, e com mais de 60% do seu território afetado pelas enchentes que atingem o Estado, os canoenses são 27% do total de pessoas em abrigos por consequência da catástrofe climática, com 18.940 pessoas, segundo dados da Prefeitura de Canoas das 19h desta terça-feira, 14.

A informação está disponível em uma plataforma que o governo do Rio Grande do Sul disponibilizou na internet. O documento dá uma noção do desafio que Canoas enfrenta neste momento.

Produzida pelo Escola de Desenvolvimento Social do Rio Grande do Sul, a ferramenta contém dados atualizados sobre os cerca de 830 abrigos que estão funcionando em 93 cidades gaúchas. Até as 14h30 de hoje, esses espaços já tinham recebido 79.494 desabrigados ao redor do Estado.

Cidade mais populosa do RS, com pouco mais de 1,33 milhão de habitantes, Porto Alegre contabilizava 14.313 pessoas espalhadas por 167 abrigos, o que representa 18% do total de abrigados de todo o Rio Grande do Sul. Já a segunda cidade mais populosa, Caxias do Sul, que tem 463.501 habitantes e decretou estado de calamidade pública em 2 de maio, contabiliza apenas 42 pessoas desabrigadas.

Em conjunto, a região metropolitana de Porto Alegre responde por 60,67% do total de pessoas em abrigos. Além de Canoas e Porto Alegre, isso compreende Guaíba, Gravataí, Cachoeirinha, Sapucaia do Sul, Eldorado do Sul, Esteio, Nova Santa Rita, Viamão e Alvorada.

Ainda em termos regionais, quase 28% das pessoas afetadas pela tragédia ambiental que tiveram que ir para abrigos estão nos vales dos Sinos (17.403) e do Taquari (4.739). Só na cidade de São Leopoldo, no Vale dos Sinos, ao menos 13.907 chegaram a ser levadas para um dos 93 abrigos em funcionamento, o que corresponde a quase 80% de todos os desabrigados daquela região.

Segundo a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, a ferramenta será atualizada diariamente, com dados fornecidos pelas prefeituras. De acordo com o secretário adjunto da pasta e coordenador do Observatório Social da EdSocial, Gustavo Saldanha, a plataforma dá mais transparência às informações relativas aos abrigos.

“O monitoramento das instalações vem sendo feito desde o segundo dia dos eventos climáticos, com o objetivo de identificar a quantidade de municípios que possuem abrigos e o total de abrigos, bem como uma noção do número de pessoas que estão nestes abrigos. O objetivo é termos a noção da dimensão e da localização desses espaços”, comentou Saldanha à Agência Brasil.

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