O início da semana foi marcado pela realização da II Marcha Trans de Canoas, que ocorreu na tarde da segunda-feira, 8. A atividade contou com uma concentração no Calçadão de Canoas desde as 14 horas, onde foram criados cartazes de apoio ao movimento trans no município. O objetivo do evento é dar visibilidade às pautas e demandas da população travesti, transexual e transgênero.
De acordo com a presidente do Conselho, Jeaniffer Alves de Souza, a atividade buscou conscientizar sobre as violências sofridas por essa população e seus direitos. “Em um primeiro momento lutamos pelo funcionamento do Ambulatório T, que foi uma grande conquista para a população trans. Porém, começamos o ano com a falta de medicamentos, que só conseguimos resolver agora”, salientou.
Para Jorge Rosiak, 34 anos, homem trans e ativista do movimento em Canoas, a marcha é muito importante para o segmento. “Estamos aqui para lutar pela saúde, segurança e empregabilidade, que são pontos importantes na luta pelos direitos da população trans”, reforçou.
Com gritos de “a nossa luta é todo dia, por mais direitos e contra a transfobia”, o grupo se dirigiu até o Paço Municipal por volta das 17 horas. Lá ocorreu uma roda de conversa sobre direitos, saúde e empregabilidade trans.
Segundo o advogado especialista em direitos LGBTQIAPN+ e vice-presidente da Comissão da Diversidade Sexual e Gênero da OAB RS, Diego Cândido, o momento é uma forma de pensar nos direitos como uma construção social. “Os direitos da comunidade não estão previstos em lei, e isso nos traz uma grande insegurança jurídica. Se tornaram direitos pois foram previstos e decididos por meio do Poder Judiciário. Ou seja, a partir de uma decisão de um juiz, se estendeu para o restante da população. É necessário que se tornem leis”, afirmou.
A roda de conversa também contou com a participação do médico Fábio Rosa, que é o responsável pelo atendimento das pessoas que estão em processo transexualizador no Ambulatório T de Canoas; Chris Siberino, mulher trans, palestrante e que foi Miss Trans 2016 de Canoas; e Niel Venso, uma pessoa não binária e usuária do Ambulatório T. Além disso, estiveram presentes dezenas de militantes, simpatizantes, população trans e familiares.