Por Daniela Uequed e Douglas Angeli – em colaboração com Rádio Alerj
Quarta escola a ingressar na Sapucaí neste domingo, 11, a Acadêmicos do Grande Rio realizou desfile que a candidata fortemente ao título do carnaval carioca. Desenvolvendo enredo sobre o papel da onça na mitologia tupinambá e no imaginário da cultura popular, os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora exibiram grande densidade narrativa nas alegorias e fantasias, aliando sofisticação e fácil leitura.
Na parte musical, bateria, harmonia e samba-enredo completaram o grande espetáculo da escola de Duque de Caxias. A onça da comissão de frente levantou o público, que participou com pulseiras de led distribuídas pela escola e que geraram um belo efeito com o bom aproveitamento do sistema de luzes do sambódromo.
O desfile foi aberto pela Porto da Pedra, que retornou ao grupo especial após 10 anos e trouxe como tema o Lunário Perpétuo, almanaque do século XVII que por muito tempo orientou a agricultura e outros aspectos da vida no nordeste brasileiro. Destaques para o enorme tigre, símbolo da escola que veio no pede-passagem, e para a fantasia da ala de baianas, com saia vazada e iluminação. No restante, as alegorias e fantasias com cores escuras e pouca iluminação geraram um aspecto pesado para o desfile, prejudicado pelo acidente com o último carro na concentração e consequente abertura de buraco na evolução da escola.

A segunda escola foi a Beija-Flor de Nilópolis, com estreia do carnavalesco João Vitor Araújo (que estava na Tuiuti). O enredo sobre Rás Gonguila, personagem do carnaval de Maceió da primeira metade do século XX, foi bem desenvolvido e proporcionou à escola abordar um tema caro aos seus históricos desfiles: a realeza africana. A escola teve bons momentos nas fantasias e alegorias, mas a comissão de frente e a evolução não tiveram bom desempenho, deixando a escola de Nilópolis um pouco distante do título.


Outra escola tradicional, o Salgueiro, realizou na sequência um desfile abaixo da expectativa, apesar da importância ético-política do tema sobre os yanomami e do samba muito elogiado, o enredo apresentou pouco desenvolvimento narrativo, as fantasias e alegorias passaram a impressão de um desfile repetitivo e nas últimas havia problemas de concepção e de acabamento.

Após o desfile da Grande Rio, foi a vez da Unidos da Tijuca apresentar o enredo sobre as lendas e mitos de Portugal, com novo carnavalesco, o multicampeão Alexandre Louzada. A escola realizou seu melhor desfile dos últimos anos, com grande evolução plástica nas alegorias e fantasias, mas o enredo não convenceu e o conjunto alegórico foi irregular e perdeu seu apuro estético nos últimos setores. Assim, a Tijuca deve ficar novamente fora do desfile das campeãs de sábado.


Fechando a primeira noite, a campeã do ano passado, Imperatriz Leopoldinense, não confirmou seu favoritismo, apesar do bom desempenho do samba e da harmonia. O enredo de Leandro Vieira sobre O Testamento da Cigana Esmeralda deixou uma impressão de incompletude narrativa e a terceira alegoria passou apagada e com arranhões e outros problemas de acabamento. Apesar disso, a qualidade das fantasias e um desfile correto deve deixar a Imperatriz em uma boa posição para o desfile das campeãs de sábado.


Hoje o grupo especial tem sua segunda noite, com Mocidade, Portela, Vila Isabel, Mangueira, Tuiuti e Viradouro.