Por Daniela Uequed e Douglas Angeli – em colaboração com Rádio Alerj

Seis escolas fecharam os desfiles do grupo especial na noite de segunda-feira no sambódromo da Marquês de Sapucaí. No início do amanhecer, a Unidos do Viradouro encerrou o espetáculo como uma das grandes favoritas ao título.

Com o enredo sobre Rosa Maria Egipcíaca, africana escravizada no século XVIII, mística e autora do primeiro livro escrito por uma mulher negra no Brasil, a Viradouro apresentou um conjunto de alegorias e fantasias sofisticado, combinando teatralização com a evolução tradicional das aulas. Destaques também para o samba e para a comissão de frente, que representava Rosa Maria conduzindo uma dança e ventania, com efeitos de iluminação e pétalas de rosa voando em círculos.

Tuiuti e Portela

A Tuiuti abriu o desfile de segunda com enredo de Rosa Magalhães e João Vitor Araújo sobre os búfalos da ilha de Marajó, começando sua narrativa na Índia, com o comércio de especiarias e passando pela arte marajoara e expressões culturais paraenses relacionadas ao “boi mongagueiro”.

A escola recebeu o Estandarte de Ouro, principal premiação da imprensa carioca, de melhor samba, comissão de frente, bateria e intérprete – Wander Pires. Na sequência, a Portela exaltou seu centenário abrindo a apresentação com seus baluartes e personalidades do samba ligadas à escola, como Paulinho da Viola, Marisa Monte, Zeca Pagodinho, Tia Surica e a Velha Guarda da escola, à frente da águia, seu símbolo, este ano combinando o azul com dourado.

O desfile teve graves erros, com a terceira alegoria batendo duas vezes no gradil do setor 3 do sambódromo e abrindo um buraco na evolução de mais de 300 metros em frente a duas cabines de jurados. Na terceira cabine de julgamento, outra falha de evolução da última alegoria e a perda da peruca da porta-bandeira, entre outras dificuldades nas alegorias, deixam a centenária Portela em situação difícil na apuração das notas.

Candidatas ao título

Além da Viradouro, Vila Isabel e Imperatriz Leopoldinense realizaram desfiles candidatos ao título do grupo especial. Com o carnavalesco Paulo Barros, a Vila levou para a avenida as festas e celebrações de origem religiosa, desde as festas para o Deus Baco na Antiguidade, passando pelas festas católicas e celebrações populares.

Um dos grandes destaques do desfile foi a alegoria de São Jorge matando o dragão, toda em arame prateado vazado e complementado por iluminação, fumaça e muitos movimentos. A Imperatriz Leopoldinense, do carnavalesco Leandro Vieira, se inspirou na literatura de cordel para falar do imaginário sobre a morte do cangaceiro Lampião, sua ida ao inferno e ao céu.

A comissão de frente, as fantasias e alegorias, somadas ao samba lúdico e boa apresentação da bateria, permitiram clara percepção do enredo pelo público em desfile tecnicamente perfeito. Com o desfile, a Imperatriz retomou a característica que a marcou nos anos 1990 e 2000 com o estilo impresso por Rosa Magalhães e seus 5 títulos em 8 anos.

A Beija-Flor de Nilópolis, com enredo sobre os duzentos anos de independência e o grito dos excluídos, apresentou um conjunto irregular de alegorias e fantasias, mas um desfile com qualidades que devem permitir seu retorno no sábado das campeãs.

Na quarta-feira, a partir das 15h, o sambódromo será palco da leitura das notas e da definição da grande campeã do carnaval carioca. Os quesitos julgados são harmonia, evolução, samba-enredo, enredo, bateria, comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, alegorias e fantasias, havendo um sorteio para definir a ordem dos quesitos para o desempate. No sábado, as seis primeiras colocadas retornam para o desfile das campeãs.

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