Por Daniela Uequed e Douglas Angeli – em colaboração com Rádio Alerj
Com enredo inspirado na obra “A jangada – 800 léguas pelo Amazonas”, do escritor francês Júlio Verne, considerado o pai da ficção científica no século XIX, a Unidos do Porto da Pedra combinou fantasia e realidade para retratar uma viagem pela Amazônia.
Com o retorno do carnavalesco Mauro Quintaes, responsável pelos melhores momentos da escola em sua primeira passagem pelo grupo especial na metade dos anos 1990, a Porto da Pedra apresentou o visual mais original do ano, com excelentes fantasias e alegorias. Outro destaque positivo foi o samba-enredo, que ressalta as lutas pela preservação da Amazônia.
Bons desfiles

As três primeiras escolas da noite de sábado realizaram bons desfiles. Subindo do terceiro grupo, a União de Jacarepaguá contou em seu enredo a história de Manoel Congo e Mariana Crioula, líderes de rebeliões de escravizados no Vale do Paraíba, com destaque positivo para o samba-enredo. A Unidos da Ponte exaltou outra personalidade das lutas afro-brasileiras, Mãe Meninazinha de Oxum, ialorixá que liderou a luta pela recuperação dos objetos sagrados do candomblé confiscados pela polícia no início do século XX.
Com pontos fortes no samba-enredo, harmonia, evolução e especialmente na bateria, a Ponte fez um dos melhores desfiles da noite. Outro grande samba foi apresentado pela Unidos do Bangu, falando do orixá Aganjú, cultuado no Brasil como Xangô menino.
Ilha ou Portela?
A União da Ilha do Governador foi o outro grande destaque da noite, celebrando o centenário da Portela. Com enredo do carnavalesco Cahê Rodrigues, a Ilha exaltou as personalidades ligadas à sua própria história e de sua madrinha, a Portela. Na comissão de frente, a aparição da presidente de honra da majestade do samba, Tia Surica, arrancou aplausos do público, com destaque também para o casal de mestre sala e porta-bandeira. Mesmo com menos apuro estético do que a Porto da Pedra, a União da Ilha deve brigar pelo título da série ouro na apuração de quarta-feira.
Altos e baixos
Outras três agremiações deram o caráter irregular da noite. A Em Cima da Hora, com o enredo sobre Esperança Garcia, mulher negra escravizada reconhecida como primeira advogada do Brasil. Utilizando as fantasias da Beija-Flor do ano passado na ala das baianas, alas com fantasias muito pouco elaboradas e com falta de adereços, uma ala de ciganos idêntica à do ano anterior e sem relação com o enredo, dificuldades na evolução e harmonia e estouro de 1 minuto no tempo, a escola fez um desfile que a candidata ao rebaixamento.
O Império da Tijuca desfilou com o enredo “Cores do Axé”, homenageando o pintor argentino Carybé, apaixonado pela Bahia e que retratou os orixás e o candomblé. As cores cítricas e fantasias leves foram favorecidas pela luz do amanhecer, em desfile conduzido com excelente harmonia e o melhor samba-enredo da noite.
Por fim, a Inocentes de Belford Roxo retratou a cultura das mulheres paneleiras de barro do Espírito Santo, com dificuldades na evolução e no conjunto estético. No domingo e na segunda o sambódromo recebe as doze escolas do grupo especial, com transmissão da TV Globo.
