LICENÇA PARA MATAR

por Carlos Marun*

Só se mata reféns portando uma bandeira branca quando a prática de matar civis desarmados é a regra.

Os Nethaniahuistas de plantão continuam considerando isto como “coisas que acontecem”, mas o prisma de análise deve ser outro e bem mais profundo.

O que este episódio revela? Em primeiro lugar o completo despreparo e pavor dos militares israelenses envolvidos nos combates em Gaza. Só pessoas apavoradas poderiam cometer estes assassinatos. Na sequência vem a sua disposição para o cometimento de crimes de guerra. Estes coitados conseguiram escapar do cativeiro e seguiram em direção às suas tropas portanto uma bandeira branca. Não poderiam ter sido assassinados mesmo que fossem militantes do Hamas, pois executar adversários rendidos é crime de guerra. Dois deles morreram na hora, mas um mesmo ferido conseguiu fugir e gritar socorro em hebraico. Assim mesmo foi perseguido e assassinado por seus próprios compatriotas.

A realidade é que a falta de uma causa justa pela qual lutar está “mudando para muito pior” as FFAA de Israel. Uma coisa era lutar pela existência de sua Pátria. Outra coisa é lutar e morrer para que colonos possam continuar roubando as terras dos Palestinos ou simplesmente para matá-los. E sem uma causa moralmente justa os eficientíssimos soldados de Israel, que em 1967 em seis dias derrotaram 5 exércitos árabes, se transformaram em um bando desorganizado a executar as ordens criminosas emanadas do Governo de Israel e que em cerca de 70 dias de combates não conseguiram vencer a resistência do Hamas.

Os episódios de simples manifestações de ódio promovidas por estas tropas se repetem e são divulgados em vídeos postados por eles próprios. Além de outras barbaridades, até incendiar comida que chegou a Gaza como ajuda humanitária autorizada eles já fizeram.

Além disto os erros maiores são evidentes. Em primeiro lugar a bisonha falha da inteligência que não detectou o que iria acontecer. Na sequência, logo após os atentados terroristas de 07/10 helicópteros Israelenses chegaram ao local da festa rave atacada e mataram vários dos participantes sobreviventes por confundi-los com terroristas. De lá para cá não conseguiram libertar um único refém. (Dizem que libertaram um, mas não mostraram filmagens da operação e nem a comemoraram). Na sequência admitiram que cerca de 20% dos seus militares mortos nos combates terrestres o foram por fogo amigo ou em acidentes. E agora admitem que mataram a tiros 3 destes reféns que por seu próprio esforço tinham conseguido fugir.

O número de baixas entre os militares israelenses nos combates terrestres cresce a cada dia e hoje já é maior do que o número de reféns mantido em cativeiro.

As FFAA de Israel hoje só são eficientes no momento em que jogam bombas de aviões até porque o chão é difícil de errar. E no chão sempre existem palestinos a serem mortos até porque Gaza é a mais densamente povoada porção de território do nosso planeta. Além disto, lá pilotos não correm riscos pois em Gaza não existem armas anti-aereas.

É isto, na falta de uma causa moralmente justa pela qual lutar a outrora eficientíssimo máquina de guerra israelense se transformou em um pesado paquiderme ineficiente.

E nesta Guerra, no início até existia uma causa que, se vista isoladamente, poderia ser considerada justa: perseguir e punir o Hamas que praticou imensa barbárie contra seus cidadãos. Porém isto ficou em 2o plano quando um desmoralizado Nethaniahu decidiu-se por uma vingança contra toda a população palestina e fez das suas FFAA o “braço armado” para a execução destes massacres.   Chega!!!!

Urge que israelenses de boa índole, e eles existem e são muitos, cheguem ao Poder e demonstrem coragem de lutar pela Paz, conscientes de que ela só poderá vir a partir da implantação de um Estado da Palestina ao lado do Estado de Israel.

Sob o comando de Bibi a absoluta ruptura moral é hoje uma ameaça para Israel e isto é um perigo para a região e para o mundo.

Fora Nethaniahu!!! Que se comece a falar em Paz!!!

*Engenheiro e Advogado e Ex-Ministro de Estado

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