Tendo a vida e o cotidiano como inspiração, Daniel Maier, expositor da Feira do Livro, presenteou os canoenses com um conto sobre o que vivenciou na praça Emancipação.

Daniel começou a escrever em 2020, tendo como gatilho a neurofibromatose tipo 1, doença que seu irmão mais novo foi diagnosticado, ainda em 2016.

A ideia era informar as pessoas sobre a doença, para que passem por ela com mais leveza. E foi assim, que esse jovem rapaz, descobriu o seu talento para escrever.

…………….

Chove chuva em Canoas:

Daniel Maier*

Mais do que saber responder perguntas, ou desenvolver teses e trabalhos, o pesquisador é aquele que também sabe aproveitar a aventura que é chegar nas respostas.

Pelo menos sempre foi essa a percepção que tive, e agora iniciando minha vida de universitário, eu precisava navegar mais nesse mar que é a vida. Quando por indicação, começo a trabalhar na feira do livro, só que agora a de Canoas.

Assim como disse Jorge Ben: “chove chuva, chove sem parar”. Nessa terra a mesma situação, mas não seria isso que iria atrapalhar a grandiosa feira do livro. Desde o primeiro dia, algo que me chamou atenção foi ela.

Uma senhora de muito conhecimento, chapéu preto, sobretudo preto, e um sapato bico fino, representando Santos Dumont, a icônica arauta, que todas as manhãs toca seu sino e nos dá um bom dia repleto de entusiasmo e energia.

Após isso, surge um ambiente onde crianças brincam, dançam, sorriem e dão risadas, me pego imaginando como é cada um, cada qual com sua subjetividade, e nesse jogo de palavras, lembro da minha adolescência, lembro do tempo que escrever poemas era algo para expressar.

A tarde, é um rito uma pausa no Café Literário, onde surgem diversas conversas, ideias, e onde sinceramente há o melhor salgado e café da região de Canoas, a feira como um todo é sublime, majestosa, e acolhedora.

Como irmão de um raro, alguém que defende a bandeira da inclusão, eu vejo tantas crianças incluídas, os sorrisos, a alegria e a graciosidade.

E com estes mesmos olhos de mocidade, eu encontro o Batman na feira, apesar do Batman não ter mais de um metro e dez de altura, e também não usar a máscara, ele está sempre sorrindo, e sua alegria é inspiradora, além de cuidar da sua vovó com muito zelo.

Tem sido esse o tema das conversas com meu amigo Kim, a leveza das crianças, e a paixão pela vida. Sentados no restaurante próximo da esquina, duas alaminutas, e conversas jogadas ao cheiro da fritura no ambiente.

Pego meu celular que estava vibrando, e após correr os olhos pela tela, me lembro que não são apenas crianças que sentem paixão… Pela vida.

*Escritor

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