Psicologia: Tristeza, por que você não vai embora?
Por Marianna Rodrigues*
Tu provavelmente conheces alguém que seja muito chorão. E também deve achar que essa pessoa é mais propensa a sentir tristeza ou algo assim. No entanto, isso não é verdade.
O choro é uma das maneiras de expressar a tristeza. Além de não ser a única, chorar não mede exatamente um grau de tristeza (ou seja, uma pessoa que chora não está necessariamente mais triste que alguém que não chora). Na verdade, muitas pessoas se sentem profundamente tristes e não expressam o que estão sentindo, o que lhes dá uma aparência de “duronas”.
Já falamos várias vezes nesta coluna das funções da tristeza. Um dos problemas de não expressar a tristeza é que, quando ela perdura, nosso organismo se deprime e nos desconectamos de muitos prazeres fundamentais. A vida pode perder o sentido.
Por isso, um dos trabalhos da Psicologia é desenvolver estratégias para expressar essa e outras emoções fundamentais. Como dissemos acima, o choro é uma maneira de expressar a tristeza, mas não é a única.
Tu já te perguntaste como gostaria de sentir tua tristeza? Cantando um refrão de sofrência, ouvindo um solo de chorinho, conversando com amigos na mesa do bar, contemplando fotos antigas… A humanidade desenvolveu inúmeras estratégias para expressar a tristeza.
Permitir sentir-se triste é um dos caminhos para libertar-se da dor da tristeza.
*É psicóloga clínica (CRP 07/30799), Mestre e Doutoranda em Psicologia Social e
Institucional (UFRGS) e pesquisadora.