“A Ulbra é patrimônio da sociedade gaúcha e é assim que a estamos tratando”, Carlos Melke, presidente da Alebra, mantenedora da Ulbra.
Sair da recuperação judicial e deixar a Ulbra mais forte do que quando ela entrou, este é o desafio de Carlos Augusto Melke Filho, presidente da Aelbra, mantenedora da Rede Ulbra de Educação. “Quando eu cheguei, um ano e meio atrás, nós encontramos realmente um desafio muito grande em relação a descrédito. Nossa instituição passou por um momento muito delicado financeiro, institucional, acadêmico”, assim Melke inicia a sua fala em entrevista exclusiva ao jornalista Vanderlei Dutra durante o Canoas Podcast.
Ele afirma que primeiro diagnosticaram estes pontos desafiadores e, a partir de uma gestão setorial descentralizada, verificaram os grandes problemas de unidade por unidade para ir reconstruindo este crédito com a sociedade. “A sociedade gaúcha cobra muito pesado e acredito que esteja correta. A Ulbra deve tudo aquilo que a história dela trouxe à sociedade gaúcha, principalmente. Ela ultrapassou os horizontes chegando ao norte e centro-oeste, mas devido ao seu crescimento aqui no Rio Grande do Sul”, disse.
Ele reforçou em vários momentos da entrevista este vínculo que a Ulbra tem com os gaúchos. “A Ulbra é vista como um patrimônio da sociedade gaúcha e é dessa forma que a estamos tratando”, afirmou.
Plano de Recuperação Judicial
Paralelo ao trabalho de gestão, Melke salienta a importância nesta recuperação da Ulbra a alteração do Plano de Recuperação Judicial feita no ano passado. “Isto foi muito significativo. Nós aumentamos em quase R$ 100 milhões o cheque para a classe trabalhadora, que foi a mais impactada, a que sentiu mais e a que deu sangue naquele momento delicado da instituição. Perdemos muitos trabalhadores naquela ocasião e acho que os três mil colaboradores que nós temos hoje devem muito a esta classe que foi muito afetada, mas que a gente conseguiu dar um tratamento especial”.
Melke salientou que gestão e novos termos da recuperação judicial permitiram que pudessem estar desfrutando de momentos mais felizes como o vivido no momento da entrevista, o Living Lab, uma feira de empregabilidade e carreiras que recebeu 2 mil visitantes, empresas e agentes de integração durante dois dias na Ulbra. (Mais nas páginas 8 e 9 desta edição).
“Isto aqui é uma família”
Perguntado se, quando chegou há 1,5 ano atrás, ele encontrou o que imaginava, Melke disse que estava um pouquinho pior. “Não tínhamos crédito para parcelar em duas vezes uma dívida de R$ 10 mil. Essa era a realidade. E isso realmente me trouxe um receio de quanto tempo demoraríamos para trazer este crédito de volta com os fornecedores, com a comunidade gaúcha, com a comunidade canoense. Começamos a mostrar nosso propósito e colocar em dia nossos compromissos com fornecedores, com nossos colaboradores, com o FGTS, que foi um pedido especial do sindicato e que nós entendemos perfeitamente como justo e legítimo. Então, tão logo eles nos colocaram que desde 2019, ano que a Ulbra entrou em recuperação judicial, não tinha sido recolhido o FGTS, fizemos uma composição, pagamos o FGTS daquele período e hoje, graças a Deus, temos um outro cenário. De comprometimento desta gestão, ainda difícil no dia a dia, com muitos problemas, mas que a gente vem enfrentando com muita serenidade, com muito corporativismo interno. Isto aqui é uma família e eu me sinto muito agraciado por hoje fazer parte dela”, disse.
“Deus me deu um desafio e todo dia quando eu acordo eu agradeço. Isto aqui é apaixonante. Tudo o que fazemos aqui tem um resultado lá no futuro e eu acredito que estes frutos que estamos plantando hoje, por serem propositivos, honestos, concretos, com certeza darão bons frutos. E ganhando nós, ganha Canoas, todos estados e municípios que a Ulbra faz parte”, salientou Melke.
Uma Ulbra mais forte
Quando perguntado sobre o futuro da Ulbra, Melke mira alto. “Quero sair da recuperação judicial e deixar a Ulbra mais forte do que quando ela entrou, este é o meu desafio. Pensando nisso nós buscamos junto ao Ministério da Educação alguns direitos que estavam represados. Conquistamos a autonomia universitária, que estava há dez anos deixada de lado. Buscamos também a nota 5 do MEC, que mostra a excelência acadêmica e que foi a primeira vez nos 51 anos da Ulbra que conquistamos esta nota. Este tipo de tratamento eu acredito que vai gerar frutos para o futuro. Porque o mercado da Educação é necessário que se olhe para 10, 15 anos para a frente. A gente enxerga uma formação de excelência, que é o que o mercado vai exigir, porque lá na frente a educação mercantilista não vai sobreviver. É nisso que eu acredito e no que estamos trabalhando”, salientou.
O presidente Melke ainda falou sobre a Ulbra Sports, sobre novidades que estão por vir, reforma do complexo esportivo, a vinda das Gurias Gremistas para morar e treinar no campus, as novidades do curso de Medicina entre muitas outras coisas. Você acompanha a entrevista completa abaixo:
“A Ulbra está renascendo. E será muito forte”

Também em entrevista exclusiva ao Grupo O Timoneiro, durante o evento Living Lab Ulbra 2023, Antônio Carlos Romanoski, vice-presidente da Aelbra, mantenedora da Ulbra, revelou que está morando há um ano e meio em Canoas. “Foi uma grata surpresa, pois não conhecíamos. Fomos muito bem acolhidos aqui em Canoas. A gente está feliz”, disse.
“Esse projeto da Ulbra nos sensibiliza muito, porque ela é um patrimônio do povo gaúcho e tem a sede aqui em Canoas. Temos mais de 320 mil formandos que estão colaborando com a sociedade brasileira. Hoje, são mais de 30 mil alunos no Ensino Superior e mais de 4,5 mil na Educação Básica”, enfatiza.
Ele, que representa sócios investidores da Ulbra, destaca que foi necessário coragem e convencimento para recuperar a Ulbra. “Quando a gente veio de fora e aplicou recursos, havia uma expectativa que fossemos trazer gente de fora, mas depois de avaliar o time que estava aqui na Ulbra, a gente não trouxe ninguém. Todas nossas chefias, nossos superintendentes são da Ulbra, a maioria com mais de 20 anos de dedicação à Ulbra. Então é um time canoense e gaúcho que, junto conosco, está fazendo a diferença. A Ulbra estava muito próxima de ser fechada. Quando nós entramos, o Plano de Recuperação Judicial era para vender a Ulbra, extinguir. Com muito esforço, com muita explicação para o fundo de investimento de que teria solução, já que é a maior recuperação judicial do Brasil, com R$ 9 bilhões, se manteve. Não tinha ninguém capaz e com coragem, a não ser o presidente Melke e o banco, que acreditou que isso poderia dar certo”, conta.
“A Ulbra está renascendo. E será muito forte no futuro. Estamos investindo no esporte, e a Ulbra sempre foi um ícone no esporte brasileiro, também na relação com a comunidade canoense e gaúcha”, diz.
Assista a entrevista completa com o vice-presidente da Ulbra abaixo: