Psicologia: “Dia dos namorados para solteiros(as)”

por Marianna Rodrigues

Apesar de muitas datas comemorativas terem, principalmente, um sentido comercial, elas não deixam de mobilizar as mais diversas emoções nas pessoas. O Dia dos Namorados, por exemplo, pode trazer uma sensação de solidão ou abandono para quem está solteiro.

Se isso está acontecendo, é um importante sinal de que você não está satisfeito com a sua situação atual – e a pergunta que deve ser feita, inevitavelmente, é “´por quê?”. Datas como essa nos trazem uma sensação extremamente desconfortável porque escancaram algo sobre o que não queremos pensar.

O problema, justamente, é que não pensar sobre algo (tentar esquecer) é uma estratégia de fuga e, toda vez que “fugimos” de determinados sentimentos, estamos deixando de trabalhá-los.

Por essa razão, quando um contexto – como o Dia dos Namorados – traz à tona situações sobre as quais não queremos pensar, é que podemos sentir tanto mal estar: porque nos fazem reviver sentimentos sobre os quais não elaboramos o suficiente.

Além disso, há uma crença popular de que “só o tempo pode curar feridas do amor”. Porém, não é o tempo em si que cicatriza as feridas, e sim o conjunto de experiências e movimentos que realizamos neste intervalo de tempo.

Se você está desconfortável por ver manifestações públicas de amor, é importante trazer a questão para si e tentar entender: trata-se de um término que você não superou? Você gostaria de estar na companhia de alguém, mas está tendo dificuldades de construir relações?

São inúmeras as questões que podem estar envolvidas. Inclusive, a ideia dominante de que só seremos completos com uma família ou uma relação conjugal, típica de uma educação patriarcal. Quem sabe não podemos aproveitar datas como essas, também, para pensar sobre outras formas de relacionar-nos que, igualmente, podem ser celebradas e produzirem-nos felicidade?

*É psicóloga clínica (CRP 07/30799), Mestre e Doutoranda em Psicologia Social e Institucional (UFRGS) e pesquisadora

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