Fim de relacionamento: e agora?

*por Marianna Rodrigues

Você já passou por alguma relação que, ao terminar, te produziu um sofrimento tão grande que nada mais parecia fazer sentido? Ou que te tirou totalmente a vontade de viver? É difícil pensar que alguém que não queira estar conosco pode afetar-nos dessa maneira, mas isso é algo que acontece frequentemente nas relações, principalmente amorosas. Uma das explicações possíveis está relacionada ao apego.

Como todos os seres que habitam este universo, não somos autossuficientes. Seja na infância, adolescência e adultez, temos necessidades que só podem ser satisfeitas através das relações sociais. Desde pequenos, vamos aprendendo comportamentos e incorporando valores sobre como nos relacionarmos. Contudo, algo que pouco aprendemos é sobre como romper relações. Isto é, como deixar de relacionar-nos com alguém. E, não à toa, quando vivemos situações de términos nos sentimos abandonados, perdidos e solitários, ainda que estejamos rodeados de gente.

Um caso comum é que depositemos todos os nossos desejos e organizemos toda a nossa rotina em torno de uma pessoa que nos faz bem. Sim, se ela nos faz tão bem, por que vamos perder tempo com outras coisas/pessoas?! Esse apego, que parece tão bonito no começo de uma relação, pode causar grandes danos no futuro. O apego se transforma em uma profunda obsessão. Já não existe mais um “eu” sem um “ele/ela”. E aí, quando a relação termina, parece que terminamos junto com a relação. Não conseguimos aceitar.

A questão aqui é a seguinte: você já tentou olhar para o fim de uma relação como uma possibilidade de construir novas relações?

É verdade que é desconfortável acostumar-se a viver sem alguém com quem tínhamos uma rotina e sonhos. No entanto, nessas horas precisamos lembrar que nossa vida inteira é sobre relacionamentos. Na escola, no trabalho, no bairro onde vivemos.

Necessariamente, estamos o tempo todo nos relacionando. Em resumo, essa sensação de que “sem a relação que terminou, não sou ninguém”, não passa de um momento de extrema desorganização emocional. Desapegar-se é um exercício que exige movimento, coragem e criatividade para reinventar-se. Se você já conseguiu outras vezes, por que não conseguiria agora?

*É psicóloga clínica (CRP 07/30799), Mestre e Doutoranda em Psicologia Social e Institucional (UFRGS) e pesquisadora.

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