“Vou até o fim contra os racistas”, foi o que disse Vinicius Junior, jogador brasileiro que atualmente atua pelo Real Madrid, na Espanha, e que vem sendo vítima constante de atos racistas nos estádios.

No último domingo, Vini Jr mais uma vez foi chamado de “macaco” por parte da torcida do Valencia, o que culminou na paralisação da partida por quase dez minutos.

Nervoso, o atacante se envolveu em uma confusão com outros jogadores e foi expulso. Após a partida, o brasileiro se manifestou nas redes sociais ironizando a LaLiga, que tem registrado somente nesta temporada oito reclamações na Justiça por racismo contra Vinicius Junior, tendo ainda criado uma comissão específica para lidar com casos relacionados ao brasileiro.

Real Madrid lança nota

O Real Madrid C.F. agradece pelas inúmeras manifestações de carinho, solidariedade e carinho recebidas de todas as partes do mundo o nosso jogador Vinicius Junior.

Os ataques odiosos e racistas devem ser erradicados de nossa sociedade para sempre e assim se pronunciaram personalidades de todas as esferas da vida e de diferentes instituições nacionais e internacionais após o que aconteceu ontem no estádio Mestalla.

Nosso clube agradece à maior autoridade do futebol mundial, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, que disse que as partidas em que esses crimes de ódio são cometidos devem ser interrompidas e suspensas.

Também o nosso agradecimento ao Presidente do Brasil, Lula da Silva, que apela a que sejam tomadas medidas sérias para combater este problema e cuja vítima é, como disse, “um jovem que venceu na vida e que está se tornando um dos melhores futebolistas do mundo”.

Da mesma forma, seus companheiros demonstraram solidariedade e apoio a Vinícius, tanto os do Real Madrid quanto os de outras seleções do mundo. Lendas, jogadores e treinadores, alguns deles tão significativos no panorama internacional como Ronaldo Nazario, Mbappé, Rio Ferdinand, Neymar, Kaká, Jadon Sancho, Lineker, Roberto Carlos ou Casemiro, entre dezenas e dezenas de figuras do futebol mundial.

Os infelizes acontecimentos ocorridos correram o mundo e envergonham o nosso futebol, ao serem refletidos e denunciados nos principais meios de comunicação internacionais. Do Washington Post ou do L’Équipe, para citar apenas alguns exemplos emblemáticos, sublinham fortemente o grave problema do futebol espanhol.

E, finalmente, estamos surpresos com as declarações do presidente da Federação Espanhola de Futebol, Luis Rubiales, porque sendo o chefe do futebol espanhol e do estabelecimento de arbitragem, ele permitiu que não fossem tomadas medidas contundentes, de acordo com os protocolos da FIFA, para evitar a situação que foi alcançada. A imagem do nosso futebol está seriamente danificada e deteriorada aos olhos de todo o mundo.

Sua passividade tem contribuído para a impotência e indefesa do nosso jogador Vinicius. Os árbitros, longe de agir com firmeza e aplicar os protocolos regulamentares, optaram na maioria dos casos por se inibir e evitar tomar as decisões que lhes correspondiam. Ainda ontem, o árbitro e os responsáveis ​​pelo VAR fugiram de suas responsabilidades e tomaram decisões injustas com base em imagens incompletas, não vistas na íntegra, tendenciosas e que levaram à expulsão direta do nosso jogador Vinicius Junior.

Infelizmente, o que aconteceu ontem e a gestão que foi feita pelos árbitros e pelo VAR, não percebemos como algo isolado, mas sim como algo que se repetiu em muitas de nossas partidas. A vítima que a sofre nunca poderá ser responsabilizada pelo crime.

Por todas estas razões, estamos muito preocupados que nenhuma ação tenha sido tomada pela Federação Espanhola de Futebol durante todo este tempo, apesar dos óbvios e repetidos sinais de alarme que o nosso clube tem vindo a denunciar.

O Real Madrid espera que, dada a gravidade da situação atual e a imagem que o futebol espanhol está oferecendo ao mundo, ações contundentes e imediatas sejam tomadas por todos aqueles que têm responsabilidades e poderes para combater esses flagelos que são o racismo, a xenofobia e ódio. O nosso clube continuará a trabalhar para que os valores que sustentaram a nossa história continuem a ser um modelo de convivência e exemplaridade.

Postagem de Vini nas redes sociais:

“Não foi a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira. O racismo é o normal na La Liga. A competição acha normal, a Federação também e os adversários incentivam. Lamento muito. O campeonato que já foi de Ronaldinho, Ronaldo, Cristiano e Messi hoje é dos racistas. Uma nação linda, que me acolheu e que amo, mas que aceitou exportar a imagem para o mundo de um país racista. Lamento pelos espanhóis que não concordam, mas hoje, no Brasil, a Espanha é conhecida como um país de racistas. E, infelizmente, por tudo o que acontece a cada semana, não tenho como defender. Eu concordo. Mas eu sou forte e vou até o fim contra os racistas. Mesmo que longe daqui”.

O que disse o Valencia

Em um comunicado à imprensa, o clube Valencia se disse contra qualquer tipo de insulto e ataque no futebol, se declarando contrário à violência física e verbal nos estádios e lamentou o ocorrido no jogo contra o Real Madrid.

Mas amenizou ao citar o caso como “episódio isolado”.

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