Sócias trabalham no mercado há décadas. Foto: Bruno Lara/OT
Sócias trabalham no mercado há décadas. Foto: Bruno Lara/OT
“O ano de 2015 foi abaixo do esperado, 2014 foi bem melhor”, é o que acredita a corretora de imóveis Cátia Tolotti Ferreira, 47 anos. Para ela, a expectativa de crescimento era grande para 2015, mas não foi. “Principalmente em relação ao setor de vendas. Locação se mantém dependendo do mês”, analisa.
 A situação se dá, segundo ela, em função da crise financeira que o Brasil enfrenta. “Locação e vendas estão muito paradas em função da crise do ano passado. A gente acredita que ainda será muito forte neste ano. Mas 2016 é só
crescimento, ao menos é isto que a gente espera do escritório, de todas as empresas, tanto no setor de locação como no de vendas”, estipula. A expectativa é crescer mais no setor de vendas, através da liberação de financiamentos.
Niterói se destaca
Vários bairros se destacam na cidade, mas o Niterói é o que mais cresce. “A expectativa é de 10% de crescimento no geral”, analisa a corretora. “Ele está crescendo bem mais em vendas e locação. O Rio Branco é um bairro mais
dormitório. Ele é mais de residências, não tem tanto comércio. Niterói é mais comercial, por isso cresce mais. O centro de Canoas também se desenvolve bastante, mas é uma região que a gente trabalha menos”, analisa.
Alugar é mais caro
O financiamento, tanto público como privado de imóveis, está cada vez mais difícil. “Eu vejo que há um aumento nas locações. As pessoas estão saindo do financiamento, deixando de pagar aquilo que eles não conseguem, que é a taxa do financiamento, o condomínio, e estão passando a locar imóveis. Eu acredito que vá existir um aumento no número de locações a partir deste ano”, aposta a corretora Rita Hanna Fraga, 38 anos. Para ela, o aluguel é uma opção rentável para a imobiliária, mas não para o consumidor final. “Vejo por dois parâmetros. Pelo da Imobiliária, que para o setor vale a pena alugar por causa da comissão. Agora, para quem sai da venda para a locação, acho que não vale. Vai estar pagando por uma coisa que não é tua, tu vai passar anos pagando aluguel por um imóvel que não é teu e vai deixar de pagar ou, pelo menos, tentar pagar aquilo que futuramente vai ser teu”, dá a dica.
Medo do longo prazo
“As pessoas não querem se comprometer. Hoje, como a economia está muito ruim, a economia está baixa, automaticamente, eles não querem gastar o pouco que tem”, acredita Rita. O problema, muitas vezes, é o reforço.
“Quem começou agora um financiamento não pode esquecer que tem a situação do reforço que, após um ano, quando tu for receber o imóvel, tu tem o reforço. E aí é que as pessoas acabam perdendo. O reforço não é baixo. Ele
varia de R$ 21 mil a R$ 40 mil, dependendo do tipo do imóvel”, alerta.
Mais 20% de inadimplência 
Para Cátia, a inadimplência é um problema ainda maior. “Cresceu bastante. Tanto no setor de que quem comprou o
imóvel como de quem locou. Uma diferença de 15% a 20% de aumento e ele já era elevado, mas se agravou mais ainda. Antes se pagava, mas não tudo. Agora não estão nem pagando, nem fazendo acordo. Antigamente era possível
conseguir algum acordo, hoje literalmente não querem pagar”, acrescenta. Uma solução possível é encaminhar tudo para a Justiça, “mas ela leva um bom tempo para resolver”, critica. “Pode levar de 1 a 2 anos até levar o imóvel, até fazer a cobrança e, neste meio tempo, o proprietário fica recebendo e a imobiliária tem que abraçar”, exemplifica Tolotti.
A situação é ainda pior com a chegada de um sinistro. “O que a gente viu é que o último temporal judiou bastante. Destelhou as casas e as pessoas atrasaram as contas para poder adquirir as coisas dentro de casa, concertar o telhado para poder dormir dentro das casas e acabou fazendo com que as pessoas perdessem aquela garantia de ter o salário certinho para pagar as contas. Hoje se tem uma conta alta com madeireira, com cartões de crédito, em função de um fato atípico”, lembra Rita. Com isto, as contas consideradas mais supérfluas são deixadas de lado e cada vez
menos os canoenses adquirem terrenos na cidade.

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