Por Vanderlei Dutra
Estamos em ano eleitoral e, mais uma vez, a necessidade de se investir em educação será bradada por candidatos aos cargos de prefeito e vereador como sendo de prioridade. Todos concordam, todos falam, mas a realidade é que a área não é tratada como deveria por nenhum dos que têm passado pelos cargos eletivos.
Atualmente, o quadro é alarmante. A falta de professores é sintomática, já que os educadores não se sentem atraídos pelos baixos salários, pela carreira não atraente que é proposta e pela estrutura precária das escolas. Talvez seja a área onde foi pior a atuação do prefeito Jairo Jorge.
Ele inaugurou diversos prédios, construídos com dinheiro federal, mas não conseguiu construir uma rede de ensino confiável, moderna e que traga resultados para o futuro da cidade. O cenário previsto, inclusive, é de muitos protestos, paralisações e dificuldades para o prefeito e seu grupo político em 2016. Vereadores, omissos, não terão trégua também.
E se arriscamos dizer que a área da educação está ainda mais precária depois de sete anos de governo Jairo Jorge, é justamente para salientar que esta deveria ter sido a área fundamental do governo que se autodenominou popular. Os dados do Censo de 2010 deixa claro o tamanho do problema. E a primeira coisa que um gestor deve fazer é se basear nos dados para mapear sua gestão.
Vamos a alguns dados do Censo de 2010 do IBGE. Com incidência muito alta de pobreza, na casa dos 29,52%, e um total de 323.827 que o Censo do IBGE de 2010 identificou como residentes em Canoas, apenas 94.038 estavam, na época, estudando. De 10 anos em diante, eram 6.398 canoenses que nunca tinham frequentado uma instituição de ensino.
Das 45.547 crianças de zero a nove anos residentes em Canoas, 26.150 frequentavam escola, o que sinaliza que 19.397 estavam fora da rede de ensino, principalmente os em idade de Educação Infantil.
Dos 69.144 canoenses entre 10 e 17 anos, 57.492 estavam estudando e 11.652 não. Na idade de entrada no mundo universitário, os de 18 a 24 anos totalizavam 37.984 e apenas 12.676 estavam estudando, com o impressionante número de 25.308 jovens sem estudar. Do restante dos 197.543 residentes em Canoas em 2010, apenas 15.730 estavam estudando.
Para finalizar os dados, mais números alarmantes: o nível de instrução dos canoenses com 10 anos ou mais. Apenas 8% com nível Superior completo, 29% com ensino Médio completo e Superior incompleto, 20% com Fundamental completo e Médio incompleto e 42% sem instrução ou com Fundamental incompleto. Impressionantes 62% que ou não tem instrução alguma ou não terminou ainda os ensinos Fundamental ou Médio. Quase metade da população residente em Canoas não terminou o Fundamental!
Você, que lê e possivelmente não é gestor, quando vê estes números não tem a nítida impressão de que a Educação em Canoas, inclusive com forte ênfase nos jovens e adultos, deveria ter sido, realmente, uma prioridade?
Pois não foi o que aconteceu. Inclusive o Prefeito acaba de fechar o EJA (Ensino de Jovens e Adultos) em quatro escolas que trabalhavam no modo noturno. Afinal, que cidade, no futuro, uma população com este nível de instrução vai ser capaz de construir?
