Fabiano Vencato – Agenda Tradicionalista

O HOMEM CAMPEIRO COMO FORMA DE VIDA

A vida dos sujeitos transcorrida inteiramente na Campanha ou no trânsito entre o mundo rural e urbano é marcada por diferenças a partir de níveis distintos de “ser mais” ou “menos campeiro”. Esses sujeitos podem ser referenciados em diferentes categorias, como: artistas, tradicionalistas, produtores de gado, trabalhadores rurais e a de outras profissões associadas a esse universo. Essas categorias nas quais o homem campeiro se enquadra é em parte produto de processos históricos, como também dos processos de transformação geopolítica e econômica, mas o campeiro também é caracterizado em termos de saberes, de funções laborais, de conhecimento artístico e de questões econômicas. Os atuais Peões Campeiros são, de alguma forma, reminiscentes da categoria nomeada pela história de gaúcho. Nestes se condensam os saberes básicos do homem campeiro, adquiridos majoritariamente pela experiência e pelo contato com outros homens da mesma ordem. A aquisição de saberes tem uma relação direta com as espécies animais, sendo um dos principais componentes da subjetividade do homem campeiro do Pampa, e do sul do Brasil. O conhecimento do ambiente cria uma categorização entre “ser mais” ou “menos campeiro” é demonstrado no discurso nativo pelo conhecimento e proximidade com esses animais, pela integração com a paisagem, e pelos saberes desenvolvidos na experiência. Os participantes de instituições tradicionalistas e os que se manifestam por meio de expressões artísticas em sua grande maioria, têm conceitos comuns sobre a vida campeira, especificamente quando se referem às representações desse modo de vida. Talvez a diferença mais marcante com as categorias anteriores seja a questão da representação e a criação de uma forma de vida, materializada no real da Campanha e nos que nela habitam. Em via de regra os tradicionalistas transitam entre o urbano e o rural, mas boa parte dessa comunidade tem experiências campeiras com frequência. O tradicionalismo gaúcho como movimento social tem uma linha artística e uma linha campeira, em que os se agrupam por preferências, manifestando-se por meio dos festivais de música, das competições de dança e dos rodeios que as associações organizam. O tradicionalismo é diverso dentro do próprio contexto do movimento, mas como já foi dito, se configura também a partir de regras e de convenções ditadas pelas instituições para todos os seus setores. Obviamente, para se estabelecer regras devem existir saberes e conhecimentos sobre o que elas convencionam. É a partir dessas convenções e concepções que os tradicionalistas expressam seus conceitos. Como no caso das danças tradicionais, suas coreografias e músicas específicas, ou nas provas campeiras em rodeios, há um embasamento em questões históricas, como também nas experiências reais das atividades da Campanha. Por isso, os tradicionalistas devem conhecer esses saberes, utilizando-os em formatos preestabelecidos para suas atividades. A arte gauchesca faz uma mediação entre os contextos rural e urbano, criando uma relação entre ambos os locais em festivais, shows ou exposições, por meio das poesias, dos sons e da paisagem retratada em quadros ou esculturas. Notamos na arte gauchesca várias áreas, como a literatura, as artes plásticas e a música – todas representam o mundo campeiro. Essa representação é baseada na observação, em percepções, como também em experiências. Desta forma o homem campeiro, seja rural ou citadino representa em sua essência o homem gaúcho, herdeiro de várias culturas que forjam esse ser único.   

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