Conversamos nesta semana com o canoense Yago Backhaus Menezes, jogador de futebol do ARS Football Europa, que atua no Uzhhorod, na Ucrânia. Yago é mais um dos tantos brasileiros que tiveram que deixar o país que vem sendo bombardeado pela Rússia. Yago estava na Polônia e nos contou como foi a chegada até a fronteira.
“Nosso técnico avisou que a sirene havia tocado e que o país estava em guerra. Que não daria para ficar e partimos. Tivemos um problema com o transporte que nos levaria até a fronteira, então seis atletas do clube foram levados em uma van (mas depois tiveram que descer e ir a pé por quase três horas), enquanto eu e mais dois dirigentes fomos em um carro. Levamos mais de 14 horas até lá. A avenida era um caos e os carros tomaram conta da contramão. Chegando lá, havia apenas dois militares para uma multidão. Ao todo, o grupo que estava a pé levou quase 24hs para conseguir passar pelo portão”, conta Yago.
No momento em que conversamos, no início desta semana, o jogador já estava com a equipe na cidade de Cracóvia, na Polônia. Ele contou que chegou a ficar quase dois dias sem dormir pela incerteza de onde iriam se hospedar. Ainda, que a experiência foi aterrorizante, também porque viram muitas pessoas não conseguirem atravessar para o outro país, incluindo idosos e crianças.

Chegada ao Brasil
Voltamos a falar com o atleta nesta quinta-feira, 10, dia em que ele finalmente desembarcou em Brasília, após três paradas: Lisboa, Cabo Verde e Recife. Ele e um grupo de brasileiros foram trazidos para o Brasil em um avião da FAB. “Fomos muito bem tratados pelos militares brasileiros. Só tenho a agradecer”, contou aliviado.

História
Yago Backhaus tem 22 anos, começou a jogar bola aos seis anos de idade na escola Futuro Craque, em Canoas. Chegou a integrar categorias de base de times como Internacional, Grêmio, Ivoti e Novo Hamburgo. Mais tarde, passou a fazer parte de um projeto que o levou para jogar futebol na Polônia, mas, quando a pandemia começou, voltou ao Brasil. Em 2022, surgiu novamente a oportunidade de voltar para a Europa, só que desta vez na Ucrânia, que ainda não estava em guerra declarada.
