por Vanderlei Dutra
Estava pensando no assunto do artigo desta segunda-feira, quando recebi a confirmação da morte do jornalista Roger Bitencourt, atropelado por um motorista embriagado em Florianópolis enquanto pedalava, seu esporte favorito. Muitos canoenses conhecem seu irmão, o jornalista e empresário Alexandre Bitencourt, um dos administradores das Óticas Vênus, genro do proprietário Denério Neumann e casado com a Ellen, pai das gêmeas Fernanda e Júlia.
Não conheci pessoalmente o Roger, mas convivi mais diretamente durante muitos anos com o Alexandre, principalmente em atividades profissionais. Durante estes anos, muitas vezes ouvi ele falar do seu irmão, contar histórias dos dois juntos. Muitas vezes presenciei os dois falando ao telefone. Por tudo isso, o texto onde Alexandre fala do irmão, reproduzido abaixo, me tocou forte. Me imaginei no seu lugar e senti sua dor.
Mas, o que tem a ver a morte do Roger com o assunto que eu planejava para a coluna de hoje? É que eu pensava na qualidade dos (des)governos que temos hoje, em todos os níveis: municipal, estadual e federal. Em uma de suas últimas postagens no Facebook, Roger disse que “Independente do Governo ou Congresso, nós somos responsáveis pelo que vai ser 2016”. Exato.
Se dependermos somente dos governantes eleitos, na maioria políticos carreiristas que só pensam justamente nas suas carreiras, devemos realmente nos preocupar. Já demos responsabilidades e prioridades demais a eles quando os elegemos. Precisamos fazer a nossa parte.
Tudo isto soa muito clichê, mas felizmente temos o exemplo do jornalista Roger que era, como descreveu Alexandre, político e líder nato. Ele nos ensina que para fazer o bem, na política, na família ou no empresariado, não precisamos de voto, mas de devotamento. Devemos fazer bem – e pelo bem – tudo o que nos dispusermos.
Não podemos esperar que os céus e os governos nos dêem um bom ano novo, precisamos fazê-lo. E isso começa em casa, no trabalho, na rua, nas relações próximas e íntimas.
Não podemos apenas esperar que os governos instalem pardais, façam blitze e inibam o álcool ao volante. Precisamos dar o exemplo aos nossos filhos de que isto não deve nunca ser feito e deixar de enfatizar que se naquela noite não vamos beber é porque podemos ser pegos na Lei Seca. Devemos mostrar que não se deve misturar álcool e volante, independente da repressão policial, porque simplesmente não é o certo.
O ano novo, o mundo novo, será feito por cada um, diariamente, nas suas reformas individuais. Isto também compreende a cobrança dos governos, mas não só. Podemos fazer mais e melhor, e temos que nos empenhar para isso.
O ano de 2015 termina estranho, com as trincheiras políticas cheias de armas, os crimes aumentando, as notícias ruins saltando na tela do computador. Que possamos, realmente, dar uma virada nisto tudo e fazer um 2016 melhor.
Alexandre e família, recebam os sentimentos e admiração de todos os amigos da redação de O Timoneiro.
“Que linhas tortas são essas meu Deus. Que dor é essa que aparece nesta reta da SC-401. Numa ciclovia, um bêbado que arranca parte da gente.
Ele era o cara, não o da Pedra da Joaquina, o próprio ia brincar respondendo assim. Mas meu irmão era o cara de verdade. Um político nato, sem jamais ter mandato, nunca precisou, pois sua arte era articular para o bem. Político, pois circulava por todos os meios e espaços que a sociedade tem. Tinha o dom da articulação. Um mestre, sim, um mestre. Pouco que se convivia com ele, muito já se aprendia.
Não havia como não aprender com ele. Estava sempre à frente. Jogo de perguntas de conhecimento, com o Róger não, ele acertava sempre tudo.
Juro q pensei que ele havia sido abdusido. Nunca, jamais conheci, alguém com tamanha dedicação nas coisas que ia fazer. Para o Róger não tinha amistoso. Entrar em campo para ele era ser o melhor, em tudo.
Um gaúcho que adotou Santa Catarina. Se dizia manezinho com orgulho. E os catarinenses sentiram isso. Róger era verdadeiro, fantástica qualidade. Deram a ele o merecido título de cidadão Florianopolitano!
Linhas tortas essa meu Deus.
Infelizmente Floripa perdeu sua Magia.
O porto seguro dos amigos, de qualquer lugar desse Brasil que chegassem a ilha, foi arrancado, atropelado e destruído. O homem de ferro foi atingido pelas costas, de forma covarde, sem poder se defender. Sim, um bêbado, um drogado, roubou a magia da ilha! Como chegar no Hercílio Luz e saber que um dos filhos mais ilustres da cidade já não está mais ali! Não sei, não sei.
O jornalista que aportou na cidade, fez carreira, história, sucesso e sobretudo milhares de amigos. Sim, foram 49 anos de vida intensa. A ilha que o acolheu, o levou. Mas oportunizou construir seus sonhos.
O trainee da RBS virou gente grande. Repórter, editor, chefe. Sua dedicação sempre o alçava aos patamares mais altos. Foi assim também na RBS TV.
Mas adorava política. E sempre com sonho de construir, fazer uma Santa Catarina melhor, mais próspera, trabalhou para uma candidatura vencedora ao Governo do Estado. Exitosa. Quem passa por Santa Catarina nem sonha o quanto foi feito naquele período de 94 a 98. Muito, mais do que você acaba de pensar.
Mas ele não parava. Sempre intenso. Abriu a Fábrica de Comunicação. Uma das mais respeitadas Assessoria de Comunicação do Brasil. Hoje inclusive com escritório em Milão, na Itália.
Neste caminho encontrou sua cara metade, sua companheira, amante, amor Karin Verzbickas. Junto recebeu filhos maravilhosos o Guto e a Fe. Mais tarde chegaria a pequena Sofia. Cara do pai, cabelo da mãe.
A casa, em Jurerê, foi feita para receber amigos. Sim, atrás do líder, do cara decidido e de pulso firme, tinha uma pessoa que só pensava nos amigos. Amigos para ele eram sagrados. São muitos, muitos mesmo.
Recentemente se encontrou no esporte e boom, entrou de cabeça. Começou a fazer corrida de rua e adivinhem: virou o melhor. Não sei precisar quantos pódius vieram, mas vieram mais e mais amigos.
Quando uma pessoa vem ao mundo para fazer o bem, ela é assim, cheia de amigos. Ele era.
Apesar do temperamento forte, agressividade ele não admitia. Era a razão. Confesso que ele sempre me tirava dos rolos. Eu já preparava o ataque, ele resolvia de forma política. Um comunicador nato.
Viveu intensamente sim. Conheceu o mundo, viajou e viajou. Era também uma virtude. Jamais precisei fazer roteiros de viagem com ele, sempre ia nos melhores locais, e quando digo sempre, sempre mesmo.
Mas essas linhas tortas de nossa história, não sei, não sei.
Acho que Deus o quis antes para novos roteiros no Paraíso. Vai chegar lá mandando, o Céu já está melhor, “o cara” chegou.
A dor é intensa. Coração arrebentado, arrancado.
Meu Deus irmão, me diz o que fazer. Eu sei que tu sabe.
A luz te espera. Ela vai brilhar forte ao te ver e para a luz as linhas são retas. Segue teu caminho!
Tu fez história, deixou o legado do bem, da dedicação ao trabalho como caminho para realizar os sonhos!
Todos os teus amigos vieram hoje meu irmão. Do Consulado do Inter, do Palácio, de toda, toda a Imprensa catarinense e muitos de fora, do governo, da oposição, da Fábrica, ex-alunos, ex-colaboradores, das assessorias de corrida, do futebol, das entidades de caridade q tu ajudava, da prefeitura, dos clubes, dos comitês, dos bairros q tu morou, e simplesmente quem te conheceu.
Acho que nem tu sabia a dimensão das pessoas que te queriam bem! Muita Geeennte. E quem não veio, mandou mensagem. Olha, já temos votos para vereador!
Saudades eternas.
Segue teu caminho Iluminado.
Go Róger Bitencourt, go 🏃🏻🏃🏻
TE AMO, TE AMAMOS!
Alexandre Bitencourt”

