Rodrigo Silva – CUFA
A empatia virou só uma palavra fora de moda e sem uso no Brasil
Dia 24 de janeiro foi um dia para relembrar tristezas, soube de uma agressão covarde realizada por jovens homens, da forma mais bruta conhecida pela humanidade, onde a violência findou a vida de um ser vivo. Por ignorância, falta de empatia, fraternidade e amor ao próximo, trabalhadores, filhos, pais, irmãos, colegas de trabalho, agrediram a punho com auxílio de objetos um jovem também trabalhador, filho, irmão, colega de trabalho, a agressão e a sentença pelo fim da vida foi decretada ali, em uma calçada mal planejada e sem cuidados, uma calçada mal educada e sem nenhuma condição de circulação, como muitas no Brasil, em nossos pontos turísticos.
A cena compartilhada em minutos mostrava a barbárie que infelizmente se tornou comum em nossas rotinas, assistir um vídeo violento e brutal se tornou uma patuscada nos infinitos grupos de mensagens instantâneas, comum como ver as fotos e vídeos de gatinhos brincando nos tempos de Orkut.
Sinto estar em um mundo onde a individualidade impera, onde o gravar é mais importante que “salvar”, pensamos já ter visto o ápice da intolerância em episódios como da rede de “super”mercado que indenizou sua vítima morta, ou da famosa e mundial cena nazista de uniformizados com joelho no pescoço de sua vítima, achei inocentemente que as pessoas de bem, se tornariam mais tolerantes. Mas não há o que possa ser pior que a maldade de gente de bem.
Moïse Mugenyi Kabagambe, de 24 anos, foi espancado até a morte depois de cobrar R$ 200 de diárias de trabalho não pagas no quiosque. E esse foi o final de Janeiro, uma vida perdida, um trabalhador morto por trabalhadores, um filho brutalmente assassinado por filhos. A intolerância tomou conta do país, resultado da engenharia social e da política do “nós contra eles”, resultado da falta de empatia, memória e de bom senso.
O jovem Moïse, vira um personagem da triste história do Brasil que coleciona vítimas da intolerância, racismo e individualismo.
Vamos assistir BBB pra esquecer, gritar “sextou” no status, brigar por esquerda e direita, assim como se nada fosse conosco ou aqui. Sorte a todos.