Fabiano Vencato – Agenda Tradicionalista
O ANO NÃO COMEÇA BEM NO TRADICIONALISMO
Dois mil e vinte e dois inicia com grandes discussões para o tradicionalismo, em reunião extraordinária realizada no domingo (02.01.2022), o Conselho Diretor do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) aprovou por maioria proposição da diretoria que proíbe narradores de trabalharem em rodeios de entidades não filiadas ao movimento, com algumas exceções. Para relembrarmos, no primeiro semestre de 2021, na gestão da ex-presidente do MTG Gilda Galeazzi, em Assembleia do Departamento de Narradores, aprovou que os narradores credenciados ao MTG pudessem narrar rodeios de entidades não filiadas ao MTG, sendo tal decisão respeitada pelo Conselho Diretor da época o que por sua vez, também liberou as entidades de contratarem narradores não credenciados a instituição, nada mais justo. A nova administração do MTG através de seu Departamento de Narradores após o assunto ter sido sancionado pelo Conselho Diretor anterior, decide marcar nova Assembléia do Departamento para 28 de dezembro de 2021, para alterar o que já havia sido alterado, nesta Assembléia a situação não obtém êxito, sendo 29 votos contrários a nova alteração e 25 votos a favor. A decisão contrariou a vontade do atual Diretor do Departamento Sr. Flávio Marcolin e da atual administração presidida por Manoelito Carlos Savaris, que em resposta convoca reunião extraordinária, conforme já mencionamos para o dia 02 de janeiro de 2022. Nesta reunião o Conselho Diretor aprova novas redações no Regimento Interno do Departamento de Narradores as quais, volta a proibir os narradores de prestarem serviços a entidades não filiadas ao Movimento. Onde em seu artigo 15 tem VI, descredenciará o narrador que atuar nesta função em eventos campeiros de entidades não filiadas ao MTG, inibindo também manifestações escritas ou publicas ao credenciado sob pena de descredenciamento automático, conforme artigo 18. Em uma breve análise tais alterações fere o princípio constitucional de livre exercício de profissão previsto no artigo 5º, XIII de nossa carta magna, sem falar no artigo 5º, § IV, o de livre manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. Se realizarmos uma pequena analogia logo para contratar um conjunto musical de baile o mesmo terá de ser credenciado ao MTG? Se a moda pegar o que será das entidades tradicionalistas? Estas que são as verdadeiras detentoras do culto a tradição gaúcha e que não suportam mais tantos regramentos, proibições e restrições. 2022 mal começou e o sentimento de não pertencimento a uma das maiores se não a maior cultura popular paira no ar, um ano que iniciou já com assuntos polêmicos para todas as lideranças tradicionalistas e ferindo também a cadeia produtiva que está intricadamente ligada aos grandes eventos como os rodeios que são inúmeros em nosso estado, qual é o limite que nós meros tradicionalistas podemos ter na capacidade de ganho e rendimentos de profissionais que vivem de narrar rodeios e levar seus sustentos a suas famílias? O fato é que entre os narradores já circula a intenção de uma ação judicial, uma vez que o Departamento de Narradores tem autonomia, e não poderia ter uma decisão sua, tomada em assembleia, invalidada pelo Conselho Diretor do MTG.
O CAMPEÃO DO MATE
Porto Alegre já teve um campeonato de chimarrão. Foi em 1925 e teve por cenário o Bar Florido, na Rua da Praia. Os adversários, que se desafiaram mutuamente, foram Almiro Silva e Fortunato Oliva, que tomaram chimarrão ininterruptamente por 23 horas. Eles começaram a ingerir o mate às 7h de um domingo e só foram terminar às 6h de segunda-feira, quando Fortunato se deu por vencido depois de ingerir o mate produzindo por nove litros de água. O vencedor, o bajeense Almiro Silva, já havia tomado 11,5 litros, e chupou mais de um chimarrão antes de receber os prêmios: duas cuias trabalhadas pela Casa Maçon. e um distintivo de ouro oferecido pelo General Flores da Cunha. Dois médicos assistiram à disputa e eram os responsáveis por acompanhar os competidores ao banheiro, quando necessário.