Fabiano Vencato – Agenda Tradicionalista
NOVOS TEMPOS, VELHAS RECORDAÇÕES
Dezembro um mês de festividades, momento de reflexão e planejamentos para um novo ano, entidades vivem um processo de reorganização de suas atividades, eventos de encerramento e confraternização com expectativas de um novo ciclo vindouro repleto de grandes momentos. Neste momento me pego um pouco saudosista de momentos vivenciados no tradicionalismo e que nos dias atuas acabaram se perdendo, um destes momentos me remete a década de 90 mais precisamente entre 1993 a 1996, quando nesta época viramos o Terno de Reis, idealizado pela tradicionalista Ivone Nunes, se não me falha memória nesta época representava o CCT Rancho Crioulo. Para quem não conhece o Terno de Reis é um folguedo introduzido pelos portugueses que consiste em um grupo composto por cantores e instrumentistas percorrem as casas nas cidades, vilas e fazendas, anunciando o nascimento do menino Jesus, durante o Ciclo Natalino (de 24 de dezembro a 06 de janeiro). O Terno de Reis realizado aqui na 12ª Região Tradicionalista (Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Nova Santa Rita) percorria as entidades tradicionalistas, onde o Patrão, convidados e associados, esperavam de luzes apagadas, portas e janelas fechadas a visita do Terno de Reis, que era geralmente composta por dois brancos e um negro, trajando pilchas, mantos e coroas simbolizando os Reis Magos, violeiros e gaiteiro que também usavam a indumentária gaúcha. O grupo se aproximava do galpão cantando a cantiga que era mais ou menos assim: “E agora mesmo cheguemos, na beira de seu terreiro…”. A cantoria só era interrompida, quando o anfitrião, neste caso o Patrão abria a porta convidando o Terno de Reis a entrar, neste momento a comitiva adentrava o galpão as luzes eram acesas, um clima de emoção pairava no ar entre todos os presentes, a cantiga invadia as casas próximas, fazendo com que a comunidade também se envolvesse neste momento que era encantador. Quando o Terno se aproximava do presépio (normalmente era um presépio vivo) a emoção tomava conta dos mais antigos que cantavam as cantigas juntamente com o s músicos e cantores. Logo após eram oferecidos os “comes e bebes”, feito por doações dos associados e participantes, normalmente as entidades decoravam seus galpões para receber o Terno de Reis. Era realmente uma grande festa voltada de simbolismo, emoção e uma grande confraternização que enaltecia a chegada do menino Jesus, repleta de grandes expectativas e que marcava a chegada do novo ano. Infelizmente esta costume foi sendo esquecido, e hoje não é mais realizado em nossa região, este folguedo ainda se manifesta nas regiões do Estado onde predomina a colonização lusa, na região do litoral (23ª RT) podemos encontrar a preservação desta tradição que se mantem viva em algumas comunidades, sendo tradicional o encontro de mais de um Terno na estrada, um dar voz de prisão ao outro em versos. O que está “preso” não pode cantar mais aquela noite ou fica obrigado a cantar com o vencedor sob o comando do outro Mestre. Enfim novos tempos, velhas recordações, um Feliz Natal abençoado de muita alegria a todos.