bruno16122015

Respeitar o outro é muito mais difícil do que se pensa. Formamos nossos grupos de amizade com base em interesses em comum. HQs, filmes, gêneros musicais ou sexuais, jornal impresso ou digital, café forte ou fraco. Podemos discordar se o melhor é o Batman ou o Superman – o Batman com certeza, segundo eu. Se o melhor ator é o George Clooney vivendo Frank Stokes em Caçador de Obras-Primas ou o Hugh Jackman em Wolverine. Podemos discordar na melhor cor de camisa para a social do sábado, na barba serrada ou bem feita, mas estaremos sempre ligados a um interesse em comum. Que não venham os de fora dizer que preferem os filmes aos quadrinhos, os filmes dublados, que andam sem camisa e que não tem barba. Piores aqueles que não tomam café. Será uma relação de oi e tchau, apenas. Não de churrasco no final de semana, tema este também polêmico.

Se o mundo nos deu uma certeza é de que nunca haverá um discurso político-econômico hegemônico e sempre haverá aqueles que querem calar o contraditório. Quem discorda de um pensamento seu, lógico, está errado. Isto se dá em função de nossas experiências anteriores, nossas vivências, nossas lembranças. Crescemos ouvindo, vendo, vivendo algo e era tão bom. Agora vem alguém estranho dizer que é errado? Não pode! O errado é quem diz que é errado. Esquecemos, porém, que aquele que defende o outro lado viveu outra história, cresceu em outro lugar ou nem mesmo teve chance de ter uma infância e, por isso, ainda nem cresceu.

Pessoas são criadas de maneira diferente em todo o mundo e cada nova experiência é um novo filtro. Estes servem para carimbarmos, logo ali na frente, o que consideramos certo e o que consideramos errado, segundo nós mesmos, mas com influência de outros. Alguns não comem carne, outros fazem dietas baseadas nela. Argumentos embasam ambos os lados. Alguns acreditam que o Natal é uma data capitalista que serve para dar lucro aos comerciários, outros a consideram uma época mágica. Nenhum dos dois está errado, apenas com filtros diferentes. Aceitar os discursos diferentes faz parte da tão falada democracia, mas é tão difícil aceitá-los quanto é difícil comer brócolis com a mesma vontade que se come uma barra de chocolate. Apenas esta última afirmação já nos leva a um mar de novos pontos de vista favoráveis e contrários.

Alguns discursos geram o ódio, é verdade. São os principais agentes, por vezes, de vidas que são perdidas por aqueles que aceitaram o que estava dito como uma verdade absoluta e agiram, foram proativos, resolveram o problema pontual que se apresentou. Talvez a única certeza é que nunca haverá uma única certeza. Assim como todos discordam de todos em diversos pontos, alguns acharão que todos concordam. Alguns entenderam que existe sim uma verdade absoluta e que não é esta. Alguns tentarão, assim como a história nos mostra que já tentaram em passados obscuros anteriores, impor seu pensamento dito correto. E muitos vão aceitar. Então por mais certeza, por mais convicção que se tenha frente a um assunto, ponderar é o melhor caminho. Por mais certo, hegemônico, politicamente correto que algo possa parecer, pare e pense com seus próprios filtros. Poderá ser você que não aceita o pensamento diferente do outro e, com isso, por mais nobre que sejam as suas intenções, estará cerceando a liberdade do outro da mesma forma que este esta atentando contra a sua.

 

 

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