Olegar Lopes – Agenda Tradicionalista
Um toque campeiro
Seguidamente, em encontros com amigos leigos do tradicionalismo ou da tradição gaúcha, estes aproveitam para tirarem dúvidas sobre palavras do vocabulário gauchesco. Um dia desses, um meu leitor e amigo queria saber qual o significado e origem da palavra “sota-capataz”. Expliquei que este vocábulo gauchesco está entre a nomenclatura criada pelos jovens que, em 1948, fundaram o primeiro CTG da história do Movimento Tradicionalista Gaúcho.
Um dos fundadores do 35, o saudoso Cyro Dutra Ferreira, escreveu no seu livro 35 CTG o Pioneiro. Para dar maior autencidade transcrevo parte de três parágrafos da página 46 do citado livro: ”Desistimos finalmente de procurar algum ponto de apoio e partimos para a organização de uma entidade a nosso feitio. (…) Havíamos decidido, antes de mais nada, criarmos algo não só para festas e bailes e sim uma sociedade onde também se estudasse e se divulgasse, de todas as formas ao nosso alcance, as tradições gaúchas.”
O toque campeiro seria assim consumado: a sede principal chamar-se-ia de Casa Grande da Estância, o local de reuniões, simplesmente o Galpão. O Presidente seria o Patrão e os Vices, Capatazes, os Secretários, Sota-Capatazes, os Tesoureiros, Agregados das Pilchas. Os Conselheiros seriam os Vaqueanos, os Departamentos intitular-se-iam invernadas e os Diretores, os Poesteiros, e assim por diante.
As reuniões de Diretoria seriam chamadas de Charlas, as Assembléias, de Rodeio Grande ou Entrevero da Gauchada, as festividades artísticas seriam os Chimarrões Festivos, o encarregado do mate seria o Peão Caseiro e o Regimento Interno seria o Regimento Grosso.
Assim nasceu, pobre, mas forte e com invulgar personalidade, o “35 – Centro de Tradições Gaúchas”, entidade tradicionalista que conta, entre seus 25 ilustres fundadores, com João Carlos Paixão Côrtes, Cyro Dutra Ferreira, Glaucus Saraiva e Luiz Carlos Barbosa Lessa.
Algumas das palavras do vocabulário gauchesco como Rodeio Grande, Entrevero da Gauchada, Chimarrões Festivos, Regimento Grosso caíram em desuso. Pelo menos eu penso assim, pois nos meus 28 anos de vivência no meio tradicionalistas não percebi seu uso nos CTGs que frequentei. Porém, prego com veemência o uso dos vocábulos que designam os cargos de uma patronagem e considero que estes jamais poderão ser esquecidos.