tonito101215

Canabarro Tróis filho

Um dia desses, não encontrando palavras para expressar o que sentia/pensava, me perguntei quais as mais numerosas primeiras letras de palavras. Quantas são iniciadas por A, por B, por C e daí ao Z…

Evidente, na pergunta um pretexto para mascarar a incapacidade vocabular, enquanto um vulcão de sentimentos devoraria todos os dicionários do mundo…

Até que um dia, desses em que já fizemos todas as obrigações óbvias, peguei um dicionário e fiz o levantamento: o C, ocupando 178 páginas, foi e letra campeã, perseguida de perto pelo A, com 177 páginas e meia. Em terceiro lugar o P, com 126 páginas e meia. Em quarto o E, com 101. Atrás, de cima para baixo: o S, com 85 páginas; o D, com 83; o M, com 71 e meia; o R, com 67 e meia; o T, com 64 e meia; o F, com 57 páginas; o B, com 53 e meia; o I, com 46; o G, com 44; o V, com 38 e meia; o L, com 32 páginas; o O, com 27 e meia, o H, com 25; o N, com 20 páginas e meia; o J, com 13; o Q, com 12; o U, com 10 e meia; o Z, com 6 páginas; o X, com 3 e meia; o K e o W empatados, cada um com 1/4 de página; e o Y, com 1/7 de páginas.

Para saber quais as mais numerosas, cheguei a solidão extrema do Y, do K, do W e do X. O Y, com seu jeito de forquilha de bodoque, o K, com jeito de H que murchou; o W, que parece um M de pernas para cima; e o X, parecido com um carretel vazio…

(Inúmeros escritores, em livros dirigidos a crianças, traçam semelhanças das letras com objetos. Daí, admitindo possível plágio, juro que o plágio, se houve, foi inconsciente, o que absolve ou expõe a pena leve).

A solidão das letras menos usadas deu pena. E vontade de inventar palavras iniciadas com elas, a fim de integrá-las mais no diálogo universal, que persegue a compreensão, a justiça, a paz. Porém, a vaidade foi vencida pela humildade: quem não sabe usar palavras velhas, para dizer um turbilhão de sentimentos, deve gastar seu pálido engenho criando palavras novas?

Da solidão das letras caí na minha própria, da qual salto para este convívio cada vez que acho palavras, se não as mais exatas, as mais sinceras no meu honesto discurso de aprendiz, cujo fito é desafiar, atiçar, estimular, para que cada um seja seu próprio mestre.

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